O Art.º-141.º Do Código Penal é simples e claro:
"Será condenado na pena de prisão maior de vinte a vinte e quatro anos, todo o português que:
1.º intentar, por qualquer meio violento ou fraudulento ou com auxílio estrangeiro, separar da mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro todo ou parte do território português, ou por qualquer desses meios ofender ou puser em perigo a independência do País.
2.º Tomar armas, debaixo das bandeiras de uma nação estrangeira, contra a Pátria".
Simples e claro como o juízo do nosso povo, quanto à forma como a Pátria foi mutilada.
"Este é o título do livro de Rogéria Gillemans, que está nos escaparates das livrarias. É uma prosa intensa, cativante e arrebatadora, a que se junta um bom poder narrativo.
LONGE É A LUA, é a desocultação de importantes pormenores de uma alta traição perpetrada por algumas mentes pardas, doentias e por pífios. E refere-se à insurreição militar de 25/4/74, e "à chamada descolonização" levada a efeito pelas mãos dos criminosos apátridas, ilusionistas do socialismo e do comunismo em Lisboa".
Quem ler este excelente livro, não poderá deixar de se comover, de reviver tempos passados vividos nessa Angola contruída por portugueses europeus, euro-africanos e africanos.
Mas a autora excede esse tema e descreve linear e escorreitamente os acontecimentos trágicos vividos antes, durante e após o 15 de Março de 1961, revelando pormenores desconhecidos ou pouco conhecidos. Cita datas e locais. Aponta nomes. Diz verdades que, pela sua importância, têm de ser repetidas para combater as mentiras propaladas por um cisco de gente.
Rogéria Gillemans confessa: "Eu para declarar o meu amor por Angola, vou ter de recordar e descrever para o presente ou para o futuro vivências que fizeram História".
A autora ama Angola, essa pérola única que a Natureza criou para o homem.
Dir-se-à mesmo que é uma forte paixão, quando diz: "Sinto que não existe nada mais difícil para mim, do que escrever este testemunho sobre Angola" - pode ler-se na contra capa do livro dedicado:
"Às vítimas de Angola do 25 de Abril de 1974 da chamada "descolonização";
"Ao André, de seu nome António Rodrigues, pela sua actuação e heroicidade ao serviço do exército português e da Pátria, honrando o seu juramento";
A todas as vítimas do terrorismo em Angola em 1961;
Aos militares que não traíram a Pátria, e à memória dos que tombaram em defesa da mesma".
"LONGE É A LUA", Memórias de luanda-Angola, finaliza com 42 fotografias, a maior parte a cores. Felicitamos a autora, desejando-lhe êxito literário (que o terá certamente) e incentivando-a a prosseguir.
Adulcino Silva, Jornalista/Escritor.
In "O ESPOLIADO" Dezembro 2008-N.˚45.
"LONGE É A LUA", Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans:
"É uma declaração de amor por Angola, narra a vida de uma das maiores famílias em Angola desde 1930 até 1975 de origem europeia e africana, descreve vivências que fizeram História.
É um real e violento testemunho denunciador dos acontecimentos que culminaram na trágica, vil e traidora "descolonização exemplar". No seu apêndice conta uma lista com os nomes dos traidores. Foi apresentado pelo Ex.mo Sr. Ten. Coronel João José Brandão Ferreira, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), Largo de São Domingos 11, Lisboa. Na sua apresentação contou ainda com conhecidas personalidades da vida civil e militar com destaque para:
"Ex.mo Senhor General Silvino Silvério Marques (Governador-Geral de Angola).
Hermínio de Carvalho Sena (o Herói de Mucaba) e sua família.
Adulcino Silva, jornalista/escritor nascido no Ambriz-Angola.
Manuel da Graça, repórter fotográfico/escritor, um dos repórteres que fotografou os massacres praticados à causa do terrorismo internacional no norte de Angola em 1961.
Dr. João Loureiro o mais jovem Procurador da República em Angola ano 1972."
O Livro "LONGE É A LUA" Memórias de Luanda-Angola, entre outras Bibliotecas consta:
Na Biblioteca de Rijksuniversiteit Groningen;
A Universidade de Groningen foi fundada em 1614. É a segunda Universidade mais antiga e a terceira maior da Holanda ( Nederlands ). http://www.rug.nl/corporate/index;
Na Biblioteca de Stanford University;
A Universidade de Stanford é uma das mais importantes universidades dos Estados Unidos, no estado da Califórnia. http://www-sul.stanford. edu
"O JORNAL DE CORUCHE";
LEITURAS NOVAS: "LONGE É A LUA", Memórias de Luanda - Angola, de Rogéria Gillemans.
http://www.ojornaldecoruche.com/docs/pdfjornal/JC_N33.pdf
"AVEIRO E CULTURA - Prof. 2000";
DESTAQUES DO MÊS: "LONGE É A LUA", Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans.
http://www.prof2000.pt/users/hjco/hjco/Avisos/Avis0114.htm
Nota:
A Edição do Livro "LONGE É A LUA" Memórias de Luanda-Angola, em língua portuguesa, encontra-se esgotada.
― Vivem-se vidas inteiras sem conhecer o desespero:
Mas esse sentimento pungente, amargo, rude, foi partilhado em 1975 por centenas de milhares de portugueses, em Angola sobretudo;
Centenas de milhares em Moçambique, em Timor, na Guiné, ( até, em Cabo Verde, e, em São Tomé e Príncipe).
Cidades inteiras de pessoas felizes, prósperas, esperançosas, com uma absurda confiança no futuro, viram-se de repente sem vida social, sem emprego, sem casa, com o dinheiro congelado nos bancos, e um terrível sentimento de perigo em relação às suas vidas e às da sua família.
O desespero tem espinhos, alguns aguçados, e os seus bicos empurram as pessoas para o abismo.
No início de Maio de 1975, em Luanda, um grupo de 2.500 residentes em Angola anunciou que não conseguindo obter passagens aéreas ou marítimas para Lisboa, tencionava fazer a viagem até Portugal por via rodoviária, atravessando oito mil quilómetros de países africanos no sentido sul-norte ao longo de 90 dias. A caravana motorizada esteve organizada para ser constituída por 200 camiões e 500 automóveis particulares, sendo os suprimentos destinados a 15 camiões-frigoríficos com capacidade para transportar 30 toneladas de alimentos cada um.
Alguns veículos foram transformados em oficinas móveis para fazer face à inclemência do trajecto e um dos organizadores, Guilherme dos Santos, fez contactos formais com a Cruz Vermelha Internacional e com a Comissão das Nações Unidas para os Refugiados para, na medida do possível, ajudarem essa travessia das selvas, savanas e desertos do continente africano. Acabaram por não avançar para esse louco caminho para a morte.
Mais a sul, porém, houve traineiras a largar de Porto Alexandre e de Luanda cheias de gente, em direcção a Portugal-Algarve e Madeira onde chegaram, com muita sorte, sem males de maior. Outros barcos de pesca artesanais cruzaram o Atlântico para despejarem no Brasil "os refuziados" que não vieram para Portugal. De entre estes barcos de pesca artesanais alguns acabariam por afundaram no Oceano. E quase todos os que puderam escaparam por terra em direcção à África do Sul e a outros países limítrofes, em alguns casos viajando com máquinas de obras públicas que iam aplainando os acidentes do caminho.
O drama, o luto, o caos, a confusão, dominou no primeiro tempo da chegada a Lisboa a cabeça das pessoas. Mais do que a revolta, as pessoas tentavam perceber os acontecimentos, e como é que se poderiam instalar em Portugal. A fase da revolta veio depois. Na quantidade tremenda de gente que desaguou em Portugal aconteceu de tudo. Uma pequena minoria tinha acautelado o seu património e preparado o seu regresso a Portugal. Outra minoria - precisamente aquela que mais tinha a perder com a "independência" de Angola uma vez que perdera os laços com a metrópole - e nunca acreditou no pior desfecho, não preparou coisa nenhuma, e veio sem nada, absolutamente nada, para além da roupa que trouxe no corpo e muita desta fornecida pela Cruz Vermelha, pelas fugas em pijamas e descalços das suas casas em plena noite quando dormiam. Algumas centenas conseguiram trazer alguma coisa, pouca, mas suficiente para o espectáculo dos caixotes que inundou os cais e o aeroporto de Lisboa.
Aos números soma-se a crónica dos ressentimentos sobre a situação, a confusão baralha-se; calam-se os dramas, a angústia, sofresse e chora-se em silêncio. E faz-se o luto pelos familiares ou pelos amigos assassinados.
O ódio é mais espesso que o sangue, mas há momentos em que nem isso adianta...
Para que a História se faça verdadeiramente e se não perca pela falsidade e deturpações aos interesses daqueles que cometeram o Crime de Traicão contra a Pátria e o seu povo.
Muitos dos verdadeiros heróis na História de Portugal passaram a ilustres desconhecidos. Nos meses que se seguiram aos massacres dos dias 15/16 de Março de 1961 (à causa do terrorismo internacional telecomandado pelos EUA, Rússia e China), souberam desafiar os perigos de toda a ordem. Embrenhados nas matas passaram necessidades de toda a espécie: Salvando, protegendo, dando sepultura a corpos mutilados ou, o que restava desses corpos humanos; Reconstruindo casas, aldeamentos indígenas, estradas e pontes, transportando pessoas e bens de primeira necessidade ou evacuando doentes em condições meteorológicas adversas, mas sempre com um único objectivo o de salvar e proteger na defesa intransigente da Pátria e do seu povo.
Grande parte dos seus arquivos desapareceram ou, foram destruídos, e o que deles resta permanecem por ventura silenciosos nas estantes de muitos dos seus protagonistas.
A História é feita por todos aqueles que nela participaram.
Há que incentivar todos aqueles que ainda possuam dados e documentos que possam contribuir para que essa História se faça e se não extinga com eles, que os publiquem, ou que os cedam a organizações que para isso estejam vocacionadas.
E àqueles que viveram a paz restabelecida em Angola e testemunharam os crimes praticados à causa comunista do 25 de Abril para que criminosos executassem a chamada "Descolonização Exemplar", é a esses que aqui lanço o meu apelo, para que nos deixem o seu contributo real, pois de certo possuirão um espólio importante para que a História se não perca. As gerações futuras de certo lhes agradecerão.
Ficará a nossa gratidão a todos aqueles que ao longo dos tempos se atreveram e tiveram a coragem de escrever as suas "estórias" e memórias sobre a verdade, factos, vivências, e acontecimentos.
Só assim a História se fará verdadeiramente, pois nenhum trabalho deste género é suficientemente exaustivo e completo.
A todos esses ilustres personagens do nosso passado recente que contra tudo e todos lutaram para que essa "verdadeira história" se fizesse, a minha humilde e sincera homenagem.
Luanda, desembarque do 1º contingente militar nos
finais de Março de 1961...
O 1º contingente militar chegado a Luanda, estava previsto o seu desfile pela Av.Paulo Dias de Novais (Marginal de Luanda),
a população civil na euforia de se sentirem protegidos, avançou pela Marginal envolvendo os soldados com uma alegria enorme...
Abril 1961, as senhoras lançando pétalas de flores sobre os soldados
do 2ºcontingente militar desembarcado em Luanda.
Luanda, 10 de Junho, desfile militar no dia de Camões.
O Hino, Marcha Militar "ANGOLA É NOSSA" foi realizado em 1961 por Santos Braga / Duarte F. Pestana.
Hino que ficou muito conhecido entre os soldados e a população de Angola. Era o símbolo da resistência portuguesa na província ultramarina de Portugal contra as potências e políticas dos EUA e comunistas que atentavam contra a Pátria.
Ó povo heróico português
Num esforço estóico outra vez
tens de lutar, vencer, esmagar a vil traição!
Pra triunfar valor te dá o ter`s razão
Angola é nossa - gritarei -
É carne, é sangue da nossa grei,
sem hesitar pra defender é pelejar até vencer!
Angola é nossa - gritarei -
É carne, é sangue da nossa grei,
sem hesitar pra defender é pelejar até vencer!
Ao invasor castigar co`o destemor
ancestral, deter, destroçar!
Vencer, escorraçar!
ESTAS SÃO AS DIVISAS E OS GALARDÕES PARA OS CRIMINOSOS DE ABRIL, AUTORES DO MAIOR CRIME DE QUE HÁ MEMÓRIA PRATICADO CONTRA PORTUGAL E CONTRA OS PORTUGUESES!
SOBRE ESTES GALARDÕES A HISTÓRIA FARÁ O JULGAMENTO:
pelo abandono, indiferença e, a conivência nos crimes, daqueles que
se intitulavam "autoridades portuguesas"!
Luanda, a partir de Fevereiro de 1975:
As urgências hospitalares, os hospitais, as clínicas, as casas de saúde, e as morgues não chegavam para fazer face às centenas de feridos e de mortos que diariamente davam entrada, com as salas cheias, os mortos eram colocados onde calhava, encontrando-se já dispersos pelo chão destas instituições, que cheias, passariam a serem levados para os pavilhões de Desporto, Escolas, e para o edifício da Delegação dos Serviços de Saúde situado na Maianga, que rapidamente, também, se encheriam de mortos. Compatriotas civis e militares, povos inteiros de Portugal abandonados e entregues a ferozes assassinos!
Este é o libelo do 25 de Abril de 1974, a quem a soldadesca e os criminosos apátridas de Abril, um dia, terão que prestarem contas a milhões de portugueses do Minho a Timor por tantos crimes praticados, e impulsionados de fora.
(sobre estes massacres, mais fotos com informação no Site "ANGOLA TERRA NOSSA".)
ESTAÇÃO DOS CAMINHOS DE FERRO (CFL), MARÇO 1975:
O primeiro grande êxodo de Luanda,
à causa da feroz e fratricida guerra levada para Angola pelos feitores da "revolução dos cravos"
os bailundos vítimas de feroz tribalismo, perseguição e ameaças de morte fogem para o sul do Angola.
Luanda, Março de 1975,
Fuga de Luanda para o Sul, Huambo,
nos Autocarros da Empresa de Viação de Angola (EVA).
Luanda, Março de 1975,
a intimidação e as constantes ameaças de morte aos bailundos, da parte dos criminosos do MPLA com alguns cubanos à mistura, davam início ao êxodo maciço de centenas de milhares de bailundos para o sul. Filas continuas ao longo dos dias carregando os seus parcos haveres "as imbambas" como se dizia, umas levadas à cabeça outras transportadas em carroças construídas para esse efeito (com madeira e rodas de bicicletas) onde carregavam o que tinham, incluindo algumas aves de capoeira, e não era raro de ver entre a pequena carga um ou outro cão, companheiros dos folguedos das crianças, nos tempos de paz.
Todos os caminhos e estradas que ligavam as zonas periféricas ao centro da cidade eram poucos nessa fuga à morte, como procissão fúnebre, em direcção aos transportes ferroviários e aos autocarros da empresa EVA, onde há chegada se iam aglomerando como calhava, aguardando durante longas semanas por lugar nesses transportes que os levariam para o sul, neste espectáculo triste e desolador não faltaram lágrimas nos rostos daqueles que assistiam a este prenúncio do fim de um povo, até então português e, desta província há cinco séculos Portuguesa, que vivia em paz, em ordem, e dentro de impressionante progresso.
Criar o caos, instalar o pânico, fomentar o racismo, o tribalismo e a fome, para dar existência à repressão, às prisões arbitrárias, aos assassinatos e à guerra, assim, foi feito em Angola, com a participação e a conivência daqueles que se intitulavam “autoridades portuguesas”. Nada era por acaso, já que este primeiro grande êxodo de Luanda teria repercussões psíquicas negativas para os portugueses brancos, ficariam assim mais sózinhos, isolados, sem ajuda necessária para a continuidade do trabalho, que já se fazia sentir no abandono laboral em todos os sectores, em especial da agricultura e da agro-pecuária.
No norte, pelas ameaças de morte aos bailundos, estes, já se tinham retirado para o sul abandonando as fazendas de produção do café, cuja colheita não foi feita. Cabia a vez aos bailundos residentes na capital, (por várias razões os bailundos estiveram desde sempre ao lado dos portugueses brancos, sendo por isso um dos valores na contribuição para a paz, para o progresso e para a economia de Angola).
Os comunistas não só se impunham pela força das armas, pelo terror, crimes de assaltos, roubos e assassinatos, como tinham o propósito de impossibilitar a continuidade laboral, paralizar o trabalho para destruir a economia (da qual portugueses europeus e africanos (bailundos) eram o grande e principal motor de produção), fragilizando o território economicamente seria presa mais fácil, expulsar e confinar os bailundos ao sul pela intimidação, pelos confrontos, as esperas traiçoeiras, o tribalismo criminoso, os assassinatos, e pelas ameaças diárias de morte, caso não saíssem da cidade.
Pela falta de mão-de-obra na produção industrial e na agricultura, em Luanda já escassavam os produtos para alimentação, e os que ainda haviam atingiam preços inauditos, e a fome não tardou a chegar.
As empresas, as fábricas, os escritórios, as alfândegas, e os serviços do Estado por falta de empregados não funcionavam, e os que iam funcionando era unicamente para manterem vivo o espírito do trabalho e da civilidade na observância do dever nos princípios da moralidade.
A presença dos povos do sul na capital eram um obstáculo aos objectivos dos comunistas, por outro lado esses povos eram simpatizantes da UNITA, sendo também por esse facto vítimas de perseguições, de tribalismo selvagem, e de assassinatos praticados com requintes de extrema crueldade, muitos dos quais aconteciam após o trabalho quando de regresso às suas casas nos bairros: Prenda, Marçal, S. Paulo, Terra Nova, Sambizanga, Cazenga, Bairro Popular, Rangel, Mulemba:
Como um jovem bailundo com 17 anos de idade que de regresso à sua casa na Terra Nova, um grupo de criminosos intersectaram-no pedindo-lhe cigarros, enquando esse jovem trabalhador procurava os cigarros no bolso foi assassinado à catanada, cuja ferocidade e selvajaria causou a mutilação do corpo, perante o olhar aterrorizado dos vizinhos do bairro, segundo testemunhas, só os gritos desses no pedido de ajuda, impediram que os criminosos continuassem o macabro ritual. Famílias inteiras de bailundos foram perseguidas e assassinadas desde 1975.
O GRANDE ÊXODO DOS PORTUGUESES DE ANGOLA !
Luanda, de Abril a Maio de 1975:
Portugueses brancos, negros e mestiços junto a uma das agências das Linhas Aéreas, na baixa da cidade. A presença já notória de russos e de cubanos na cidade e, a guerra fratricida já declarada, davam lugar às ininterruptas filas que davam a volta ao quarteirão, durante semanas de longos dias, sob sol escaldante e de longas frias noites, de onde ninguém arredava pé para não perder o lugar, para aquisição dos bilhetes de embarque com destino a vários países. Neste êxodo de Angola.
Luanda, Maio 1975:
Portugueses de algumas cidades e vilas do interior de Angola, refugiados no Aeroporto de Luanda, aguardando por embarque para Lisboa.
1975, Henrique de Carvalho:
Campo de refugiados portugueses na periferia de Saurimo, Lunda-Sul.
A população civil procurava a protecção do “exército português de Abril” que em nada ajudou!
Abril de 1975, Malange: Portugueses da Lunda
em concentração rumo a Luanda e a Nova-Lisboa por estrada, pedindo ajuda
de protecção à soldadesca de Abril, ajuda essa de protecção que lhes foi negada.
Esta era a pacífica e bonita cidade de Henrique de Carvalho (Saurimo) em 1971.
1975, Vila Luso, província do Moxico: Portugueses de Luena
refugiados no hangar do aeroporto aguardam por transporte aéreo para Luanda.
A chamada "Ponte Aérea" de Luanda para Lisboa com início a 03 de Junho até final de Novembro de 1975, oficialmente foi dada por terminada no dia 03 de Dezembro e concluída a 06 de Dezembro do mesmo ano.
Centenas de aviões, milhares de voos (900 mil voos) a um ritmo impressionante de mil pessoas transportadas por dia, para a saída urgente desta gente traída e abandonada. Cinco meses e meio para evacuar mais de meio milhão de pessoas, neste, dizer adeus a Angola.
FUGA POR TERRA, DO LUBANGO RUMO À ÁFRICA DO SUL:
1975, Lubango:
Uma caravana de 300 viaturas rumo à África do Sul.
1975, Namibia, Grootfontein, o campo de refugiados Angola.
1975, Namibia, Grootfontein.
1975, Grootfontein:
Os refugiados de Angola na partida para a estação de comboios.
Dias tórridos de sol a sol, e noites gélidas:
No exterior da vedação mais de uma centena de viaturas de vários tipos estacionadas. Umas com as cargas de origem, outras vazias. No campo de Windhoek a situação era idêntica.
Os seus proprietários acabariam por abandoná-las ali.
As autoridades sul-africanas não prometiam o embarque destas para Portugal, e da parte das chamadas “autoridades portuguesas” nem sinais.
No dia 22 de Outubro é anunciada a partida. Nessa noite, militares e alguns residentes da cidade honraram os refugiados de Angola com uma festa de despedida, com um grupo musical, no recinto de jogos desportivos.
No dia 23, os seus parcos pertences foram devidamente rotulados e transportados para a estação do comboio, seguindo-se as pessoas que eram acomodadas por agregado familiar em cabines com beliches de acordo com o número de indivíduos. Nas cabinas encontravam-se latas de conservas, fruta natural e bebidas.
Ao meio dia em ponto ouve-se o silvar do comboio que dá o sinal de partida. Na despedida de Grootfontein o acenar de muita gente, entre esta, um Padre a dar a sua bênção a esta honrada gente de Angola, traída e abandonada pelos canalhas criminosos que se proclamavam “autoridades portuguesas”.
Caso admirável das Autoridades Sul-Africanas:
Aproximava-se a hora do embarque, nas vésperas da devolução do campo todas as viaturas abandonadas foram recolhidas para um recinto vedado, e no decorrer de 1976 exactamente como haviam sido abandonadas foram despachadas para Portugal e entregues aos seus donos.
1975 - OCEANIC INDEPENDENCE -
O navio que as Autoridades Sul Africanas puseram à disposição dos refugiados de Angola,
de Grootfontein para Lisboa.
Lisboa 1975, a partir de Junho este era o cenário no aeroporto de Lisboa.
Refugiados de Angola, após as suas chegadas, deixados ao abandono
pela indeferença dos criminosos e depredadores que se intitulavam "autoridades portuguesas".
Lisboa 1975,
Refugiados de Angola manifestando-se em luto contra o Crime de Traição.
Lisboa 1975,
os refugiados de Angola, em reivindicação aos seus direitos e, para se fazerem ouvir,
ocuparam o Palácio de São Bento (Assembleia da República).
"Revolução dos Cravos, 25 de Abril de 1974" Traição -
Crimes Contra a Humanidade - Holocausto em Angola!
A chamada "Revolução dos Cravos" teve origem em reivindicações de carreiras militares, foi um descontentamento mercenário e, que abriu fendas na disciplina militar e que, a certo momento, dada a extenção da indisciplina procuraram revestir-se de uma explicação política conferindo-lhe, aos olhos da Nação e do mundo, uma aparência de honestidade e de significado nacional. A infiltração dos oficiais esquerdistas, comunistas e socialistas, exploraram essa indisciplina mercenária e conduziram-na à mais Criminosa Traição que a História de Portugal conhece e, o poder foi tomado de assalto por criminosos que, ilegitimamente e, à revelia da Constituição determinaram o destino da Nação e de todo o seu povo, e aos quais se juntariam outros malfeitores vindos do estrangeiro para a prática dos crimes. E que, à revelia e, inconstitucionalmente, negociaram com "Terroristas-Assassinos" os territórios e povos de Portugal, abandonaram inteiras populações inermes, recusando-lhes Protecção.
As afirmações do socialista/marxista Mario Soares ao “ DER SPIEGEL” em 1974 e, ao “JORNAL DE SÃO PAULO” do (Brasil) deixam claro as suas intenções a respeito dos Crimes, e dos portugueses de Angola, o "Genocídio dos Portugueses Brancos"como "Solução".
Os massacres praticados pelo MPLA e cubanos à causa do 27 de Maio de 1977 foram de 80.000 seres humanos assassinados, na maioria com idades inferiores a 18 anos, outras fontes apontam para um número superior a 100.000 mortos, e ao longo de três décadas de guerra morreram mais de 2 milhões de africanos portugueses; 4.1 milhões foram deslocados internos, e 436.000. levados para os países vizinhos: Zâmbia, Congo Brazzaville, República Democrática do Congo.
O número de mutilados civis é de 80.000 resultado de minas semeadas por todo o solo angolano por ordens do cubano comunista Fidel Castro.
NOTA – No "ANGOLA TERRA NOSSA"informação mais detalhada com fotografias e documentos sobre causas, participação e acontecimentos dos crimes contra a humanidade em Angola, e aos quais os criminosos da "Revolução dos Cravos" qualificaram como "Descolonização Exemplar"
"UM EXÉRCITO DE CARNEIROS DIRIGIDO POR UM CHACAL, É MAIS TEMÍVEL,
QUE UM EXÉRCITO DE LEÕES DIRIGIDO POR UM CERVO"
Telegramas do almirante-Vermelho, Rosa Coutinho, enviados de Angola para a Presidência da República. Onde é manifesta a decisão da entrega de Angola ao MPLA Comunista.
CARTA DE ROSA COUTINHO O "ALMIRANTE VERMELHO"
CO-AUTOR DO GENOCÍDIO EM ANGOLA.
República Portuguesa
Estado de Angola
Repartição de Gabinete do Governo-Geral
Luanda, aos 22 de Dezembro de 1974
Camarada Agostinho Neto,
A FNLA e a UNITA insistem na minha substituição por um reaccionário que lhes apare o jogo, o que a concretizar-se seria o desmoronamento do que arquitectamos no sentido de entregar unicamente ao MPLA.
Apoiam-se aqueles movimentos fantoches em brancos que pretendem perpetuar e execrando colonialismo e imperialismo português – o tal da Fé e do Império, o que é mesmo que dizer do Bafio da Sacristia e da Exploração do Papa e dos Plutocratas. Pretendem essas forças imperialistas contrariar os nossos acordos secretos de Praga, que o Camarada Cunhal assinou em nome do PCP, afim de que sob a égide do glorioso PC da URSS possamos estender o comunismo de Tânger ao Cabo e de Lisboa a Washington.
A implantação do MPLA em Angola é vital para apearmos o canalha Mobutu, lacaio do imperialismo e nos apoderarmos da plataforma do Zaire. Após a última reunião secreta que tivémos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia ?Fanon? que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, afim de provocar a sua debanda de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos, para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à Terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. O FNLA e a UNITA, deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e de sua experiência militar.
Desenraizem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruine toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela.
Saudações revolucionárias
A Vitória é certa
António Alva Rosa Coutinho
Vice-Almirante
Portuguese Republic
State of Angola
Division of the Office of the General Government
Luanda, December 22, 1974
Comrade Agostinho Neto,
The FNLA and UNITA insist on my replacement by a reactionary that they trim the play, which is to be achieved would be the collapse of that we devise to deliver solely to the MPLA.
They were based on those movements in white puppets who want to perpetuate and decrying Portuguese colonialism and imperialism – as the Faith and the Empire, which is to say the mold of the Vestry and of the Exploitation of the Pope and the plutocrats.
They want these imperialist forces thwart our secret agreements Prague that Comrade Cunhal signed on behalf of the PCP, so that under the aegis of the glorious Party of the USSR communism can extend to the Cape of Tangier and Lisbon to Washington.
The implementation of the MPLA in Angola is vital for the bastard apearmos Mobutu, lackey of imperialism and of platform, Seizing Zaire.
After the last secret meeting we had with the comrades of the PCP, we decided to advise you to implement immediately the second phase of the plan. Not say? Fanon? that the inferiority complex we can only win by killing the colonizer? Comrade Agostinho Neto, gives therefore secret instructions to MPLA militants to terrorize by all means whites, killing, looting and burning, in order to cause their stampede of Angola. Headquarters cruel especially children, women and children, to discourage the bravest. So entrenched are these dogs to Earth explorers white terror that only make them flee. The FNLA and UNITA, thus no longer count on the support of whites, their capital and their military experience.
Rooting ourselves in such a way that with the fall of whites ruin the whole capitalist structure and may bring a new socialist society, or at least impede, the rebuilding of that.
Greetings revolutionary
Victory is certain
António Alva Rosa Coutinho
Vice Admiral
Rosa Coutinho, reconhece a veracidade da assinatura. «Um homem que escreveu uma carta destas é um assassino».
Esta carta foi publicada pela primeira vez em inícios de Janeiro de 1975 num Jornal Sul Africano:
Era o tema diário e a voz corrente em Angola, principalmente na sua capital, Luanda.
Coutinho ao ter conhecimento sobre a divulgação pública da referida carta, e quando questionado por jornalistas em conferência de imprensa a 16/01/1975, as suas únicas palavras sobre a mesma foram: "Quero lá saber o que dizem os reaccionários.
Constou-se que a sua imprevista substituição por *Silva Cardoso, esteve na origem do conhecimento público desta carta.
*Silva Cardoso; leitura em: 1975, os comissários MFA e a Agonia de Angola, e no Site "ANGOLA TERRA NOSSA".
"AS FALHAS E DEFEITOS DA MENTE PROPENSAS AO CRIME SÃO FERIDAS INFECTAS E VISCEROSAS, AINDA QUE A MEDICINA TENTE TODOS OS TRATAMENTOS PARA CURÁ-LAS, FICARÃO COMO CICATRIZ":
Fotos dos Arquivos da Polícia.
ENTREVISTA A UM CANALHA CO-AUTOR DO GENOCÍDIO EM ANGOLA:
Em entrevista a "Der Spiegel" Mário Soares, aquando Ministro dos Negócios Estrangeiros português, sobre a chamada "descolonização" em Angola disse:
"SE NECESSÁRIO ATIRAREMOS SOBRE OS PORTUGUESES BRANCOS!"
"SP – Sr. Ministro, o Governo Provisório está em vias de conceder a independência às colónias da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Há portugueses que se interrogam se este Governo de Transição, que não foi eleito pelo povo, mas empossado por um golpe militar, tem legitimidade para tomar uma decisão tão histórica.
MS – Isso nos perguntámos logo a seguir à revolução de 25 de Abril. Ponderamos se a descolonização se deveria fazer apenas após eleições regulares. Mas verificou-se que o problema era candente, que dificuldades e demoras surgiam no processo. E assim convencemo-nos que precisávamos de nos apressar.
SP – Há portugueses que julgam que o Sr. se tenha apressado demais – como em tempos os belgas ao se retirarem do Congo.
MS – Estamos há 3 meses no governo, e entretanto fizemos contactos e progressos, mas não creio que tenhamos sido demasiado apressados. Pelo contrário. A situação em Angola, que nos últimos tempos se tornou explosiva, prova que talvez não tivéssemos andado suficientemente depressa.
SP – Sobre as condições de independência o Sr. negoceia exclusivamente com os movimentos de libertação africanos. Na sua opinião eles são os únicos legítimos representantes das populações nas colónias?
MS – Bem, se quisermos fazer a paz – e nós queremos sem demora a paz – temos que falar com os que nos combatem. Isto não implica uma avaliação política ou ética dos movimentos de libertação, mas resulta da apreciação pragmática de determinada situação. E quem nos combate na Guiné? O PAIGC. Assim temos de falar com o PAIGC. Quem nos combate em Moçambique? A Frelimo. Assim temos de falar com a Frelimo.
SP – E com quem pode o Sr. negociar em Angola onde existem vários movimentos rivais?
MS – Em Angola há dois movimentos de libertação reconhecidos pela OUA – o MPLA e a FNLA. Assim temos de negociar com ambos. Para avaliar qual dos dois é o mais representativo do povo é um problema que os Angolanos e as coligações que no futuro formarão governo terão de resolver mais tarde.
SP – Acredita que esses movimentos e em particular os ainda discutíveis têm suficiente autoridade de impor a solução que vai ser negociada.
MS – Esperamos que sim. Mas o processo de descolonização em Portugal, no formato, não deverá decorrer de modo muito deferente do da Inglaterra e França.
SP – Na Argélia havia um movimento de libertação muito forte, como no Kénia e sem dúvida também na Guiné-Bissau e Moçambique. Mas e em Angola?
MS – Sim, na verdade em Angola a situação é difícil devido às divisões dentro dos movimentos. E nós não podemos alterar aí quase nada. Estamos prontos a falar com cada uma das facções e, dentro das nossas possibilidades, procurar que se unam. Mas não temos muitas ilusões, as nossas possibilidades de intervir aqui são muito limitadas.
SP – Se o processo de descolonização português correr como o inglês ou o francês, na sua opinião qual será a tendência a seguir - como no Kénia que seguiu a via capitalista, ou como a Zâmbia que tenta uma espécie de socialismo africano?
MS – Eu julgo que é sempre perigosa a transposição de modelos estranhos. Mas, de momento, parece-me que a evolução em Moçambique será semelhante à da Zâmbia. Noutras regiões poderá haver outras soluções. Quando falei da semelhança do nosso processo de descolonização com o inglês ou o francês, pensei mais nas linhas gerais – que nós, como potência colonial, como os ingleses e os franceses, devíamos negociar com os movimentos fortes a operar nas colónias.
SP – E o que virá depois das negociações?
MS – Parece-nos importante que as populações sejam consultadas e que, depois do domínio português, não lhes seja imposto outro domínio que poderá não ter a maioria. Gostaríamos que a liberdade da população fosse garantida e assegurada. Mas temos nós, como antiga potência colonial, autoridade bastante para discutir isso? A nós parece-nos isso muito problemático. Por outro lado, o PAIGC e a Frelimo são movimentos de libertação que em anos de luta renhida pela independência ganharam indiscutível autoridade. Eles têm chefes muito qualificados e conscientes das responsabilidades. Com quem mais, a não ser com eles, deveremos negociar?
SP – Sente-se o novo governo português também responsável por aqueles milhares de africanos que, por motivos diversos, colaboraram com o anterior regime?
MS – Certamente que nos sentimos responsáveis por essa parte da população e sobre o seu destino já se falou por diversas vezes nas conversações. No caso concreto da Guiné, onde o processo está mais avançado, tencionamos, por exemplo, repatriar para Portugal os ex-combatentes africanos que o queiram por não se conseguirem integrar na nova República independente.
SP – Quantas pessoas são essas?
MS – Sabemos de cerca de 30 antigos comandos que aos olhos do PAIGC representam um certo perigo. Para estas pessoas temos de encontrar uma solução qualquer – talvez integrá-los nas forças armadas portuguesas ou coisa semelhante.
SP – Acredita que do lado dos movimentos de libertação exista a boa vontade de não exercer represálias contra os colaboradores africanos do antigo regime?
MS – Sim, isso foi-me espontaneamente assegurado, mesmo antes de nós termos levantado o problema. Também nos deram certas garantias, os movimentos de libertação não são racistas. Eles estão conscientes dos imensos problemas que terão de enfrentar e não querem comprometer já a sua vida política com crueldades e actos de vingança.
SP – No entanto, a “Voz da Frelimo” emissora do movimento para Moçambique tem, nas passadas semanas, por diversas vezes apelado aos soldados pretos para desertarem das tropas portuguesas, sob pena de ajuste de contas após a independência.
MS – Uma guerra, infelizmente não é um jogo de cavalheiros nem um concurso hípico com regras éticas fixas. Tais excessos verbais e ameaças são lamentáveis, mas também muito naturais. Na verdade, não sei se essas ameaças foram feitas, mas considero-as possíveis. Mas até agora tivemos na Guiné e em Moçambique – em Angola ainda não – uma impressionante onda de confraternização e tudo tem corrido muito melhor do que seria de esperar depois de 13 anos de guerra.
SP – Muitos brancos nas colónias portuguesas sentem-se traídos por Lisboa. Com razão?
MS – Se acreditou nos slogans do antigo regime – que Angola é nossa e sê-lo-á para sempre, e que não são colónias mas simplesmente províncias ultramarinas – então terá razão em sentir-se traído. Mas, na realidade, a traição é do regime de Salazar e Caetano que quiseram fazer esta gente acreditar que seria possível oferecer resistência ao mundo inteiro e à justiça.
SP – Qual será o futuro destes brancos desiludidos, se, apesar de tudo, quiserem permanecer em África?
MS – Se forem leais para com os novos Estados independentes na cooperação e respeitarem as suas leis, não têm nada a temer. Na Guiné, por exemplo, o próprio movimento de libertação exortou-nos a deixar os nossos técnicos, médicos, engenheiros e agrónomos, porque precisavam deles. É cómico: a extrema esquerda portuguesa exigia a nossa saída imediata, total e sem condições, mas os próprios movimentos de libertação não exigiram nada disso.
SP – O que será dos brancos que não querem ficar em África? Em Moçambique já se iniciou entre os brancos um grande movimento de fuga.
MS – É verdade. Mas estou certo que dois anos após a independência e quando as instituições do País funcionarem razoavelmente, haverá mais portugueses, em Moçambique, que hoje. Isto é, aliás, um fenómeno geral. O Presidente Kaunda da Zâmbia disse-me, quando estive em Lusaka: ” Saiba que temos aqui na Zâmbia o dobro dos ingleses que tínhamos antes da independência”.
SP – E o Sr. acredita que isso também acontecerá em Moçambique?
MS – Sim. Primeiro virão muitos para Portugal, porque têm medo, mas depois regressarão.
SP – E em Angola?
MS – Ali ainda não há muitos que abandonaram o País. Ali generaliza-se entre os brancos uma atitude perigosa. Precisamos de convencer os brancos, no seu próprio interesse, que fiquem, mas já não como patrões, como até agora.
SP – Apesar disso Portugal tem de contar com o regresso de muitos. Como irão resolver o caso?
MS – Isto é para nós um problema económico muito sério, pois não é apenas o regresso dos colonos brancos mas também os soldados – cerca de 150.000 a 200.000 homens que regressam duma assentada. Acrescem ainda os imigrantes que querem regressar desde que Portugal é livre. O assunto está a ser estudado pelo Ministério da Economia e Finanças. Temos de criar novos postos de trabalho, mas isso significa igualmente a reestruturação da totalidade da economia portuguesa, que vai precisar de se adaptar às sociedades industriais modernas.
SP – Não existem portanto planos concretos para absorver os retornados?
MS – Há investigações adiantadas.
SP – Entre os brancos que não querem regressar a Portugal, tenta-se criar um exército de mercenários para se opor aos movimentos de libertação. Em Angola, nos últimos tempos, radicais brancos de direita provocaram confrontos raciais sangrentos. Pode Lisboa impedir que tais brancos, especialmente em Angola, tomem o poder?
MS – Eu penso que sim.
SP – Como?
MS – O exército em Moçambique e em Angola é completamente leal para com os que fizeram a Revolução de 25 de Abril. E o exército não permitirá que mercenários brancos ou grupos semelhantes se levantem contra o exército. Tentativas haverá. Em Moçambique já as houve.
SP – E em Angola onde vivem mais do dobro dos brancos e um terço menos de pretos que em Moçambique?
MS – Em Angola haverá certamente uma série de situações mais ou menos desesperadas e tensões perigosas entre as raças. Apesar disso, julgo que por ora o exército pode e fará manter a ordem – a ordem democrática.
SP – Portanto, se necessário, o exército português fará fogo sobre portugueses brancos?
MS – Ele não hesitará e não pode hesitar. O exército já mostrou que tem mão forte e quer manter a ordem a todo o custo
SP – Apesar do exército, não se pode excluir a hipótese de os brancos se declararem independentes, como na Rodésia. Pelo menos Angola podia tentar mesmo economicamente uma tal solução.
MS – De princípio, nos primeiros momentos da Revolução tive muito receio que tal pudesse acontecer. Mas quanto mais o tempo passa, mais difícil se tornará uma tal tentativa.
SP – Suponhamos, no entanto, que tal venha a acontecer – reagiria Lisboa como Londres, na altura, tentando impor um bloqueio económico?
MS – Não creio que em Angola exista uma solução rodesiana, mas se tal acontecesse combatê-la-íamos com todas as nossas forças, pois uma tal solução seria para África e para o Mundo uma aventura inaceitável.
SP – Também se pensou isso no caso da Rodésia e, no entanto, não se pôde evitar.
MS – Para nós tal solução é improvável a não ser que tivéssemos um golpe de direita aqui em Portugal. Nós – este governo democrático – não permitirá que tal solução rodesiana aconteça em Angola ou Moçambique. Eu repito! Nós combatê-la-emos com todos os meios ao nosso dispor.
SP - Porquê?
MS – Porque isso poria em causa todo o nosso processo de descolonização, a nossa credibilidade, e a nossa boa vontade. E porque com uma tal solução até o regresso do fascismo poderia ser encaminhado em Portugal.
SP – Do ponto de vista económico a perda da Guiné e de Moçambique são um alívio para Portugal. Angola, no entanto, com os seus diamantes, petróleo, café trouxe para Portugal as tão necessárias divisas. Pode Portugal dar-se ao luxo de perder essa fonte de divisas?
MS – Todas estas receitas não compensavam os custos de guerra. Nós gastávamos cerca de 2 biliões de marcos por ano com a guerra. O que pouparmos com o fim da guerra compensa plenamente a perda dessas divisas, que de qualquer modo, acabavam na maior parte nos bolsos dos americanos, alemães e ingleses.
SP – Lisboa irá ajudar no futuro as suas antigas colónias? Concretamente: -Se Moçambique independente resolvesse impedir o trânsito de mercadorias da Rodésia para Lourenço Marques ou Beira para exercer pressão política sobre o regime branco de Salisbury, estaria Portugal disposto a compensar Moçambique pela perda de divisas que tal operação acarretaria?
MS – Os nossos meios são escassos, temos de ter em atenção a nossa muito tensa situação económica. Mas, dentro das nossas possibilidades, ajudaríamos, numa tal situação.
SP – No seu livro “Portugal e o Futuro”, o general Spínola propunha uma espécie de comunidade portuguesa como forma de cooperação futura entre Lisboa e África. Os movimentos de libertação não deram qualquer importância à ideia. Como serão as futuras relações entre Lisboa e África?
MS – O discurso pragmático proferido pelo general Spínola em 27 de Julho sobre o futuro das colónias está muito distante da concepção do seu livro. Se, algum dia, uma espécie de comunidade dos países lusófonos se verificar, só na condição de todos os países serem realmente independentes. E seriam então os países africanos a dizer até que ponto tal associação poderia ir.
SP – Sr. Ministro, muito obrigado pela entrevista.
in: "Der Spiegel" - Nº 34/1974."
"ÓDIO CONTRA OS PORTUGUESES,
OU SIMPLESMENTE OS INSTINTOS DE UM CRIMINOSO NATO?
VIDA E OBRA DE UM MARXISTA/SOCIALISTA
Um Canalha, um Traidor à Pátria e aos Valores dos Homens.
Fiel ao catecismo do socialismo marxista, fomentado, revisto e ampliado sob
as técnicas desenvolvidas nos covis da Nomenklatura soviética. Co-autor e
instigador ao genocídio em Angola, participou activamente da destruição das
vidas de centenas de milhares de seres humanos que, de um momento ao outro, se
viram desalojados da terra, onde, muitos nasceram.
Demagogo e agitador dos discursos "ad nauseam" cujas perorações
não eram mais que um meio para encobrir os seus propósitos reais. Oportunista
e perito nas manobras e traições concertadas, apropriou-se de Portugal como se
a ele lhe pertencesse, enriqueceu à custa dos escombros da Nação, à custa do
"Genocídio em Angola", e à custa de todos os contribuintes
portugueses.
Amigo e admirador do Nicolae Ceauşescu- o Facínora Ditador Secretário
Geral do Partido Comunista da Romênia Socialista - que chegou apresentar como
modelo a seguir para Portugal.
Sobre ele, da mesma forma que sobre outros criminosos envolvidos nos crimes
a que qualificaram como “Descolonização Exemplar” a História fará Julgamento.
MARX FOI UM DOS PIORES CRIMINOSOS NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE:
Em seu poema "Orgulho Humano"Marx admite que o seu objectivo não é melhorar o mundo com reforma ou revolucioná-lo, mas simplesmente para arruiná-lo e apreciá-lo sendo arruinado!
(Não existem dúvidas que esta realidade foi praticada contra Portugal, com o mesmo delírio e o mesmo satanismo! E assim, tiveram a faculdade de explorar o melhor em seus benefícios).
Karl Marx foi igualmente frequentador das sociedades secretas, escreveu a propósito:
"Sem violência, não dá para se chegar a realizar nada na história", ou seja, "Sem violência, não dá para se chegar a realizar riqueza".
Marx afirmava que o dono da riqueza é a classe dirigente porque usa o poder económico e político para impor a sua vontade ao povo. Ele achava que a classe dirigente jamais iria abrir mão do poder por livre e espontânea vontade e que, assim, a luta e a violência eram inevitáveis.
Os prosélitos do marxismo pensavam na mesma sociedade preconizada por Marx - e numa mesma maneira de chegar ao poder.
Marx negava ainda a existência da alma e outra vida depois da morte:
O objectivo principal do comunismo/socialismo em conquistar novos países não é estabelecer novo sistema social ou económico, é sim zombar de Deus e louvar a Satanás:
"Os vapores infernais elevam-se e enchem o cérebro, Até que eu enlouqueça e meu coração seja totalmente mudado. Vê esta espada? O príncipe das trevas, Vendeu-a para mim." (Marx).
De, Vladimir Lenin "A fome tem várias consequências positivas (...) a fome aproxima-nos do nosso alvo final, o socialismo, etapa imediatamente posterior ao capitalismo. A fome destrói a fé não somente no Czar, mas também em Deus".
"É preciso lutar contra a religião", "O marxismo é incondicionalmente ateu, decididamente hostil a qualquer religião." (Lenin).
Este é o ideário daqueles que proclamavam e, proclamam: "fraternidade, pão, e liberdade".
MARX, A TEORIA DO SOCIALISMO NO CULTO DO ATEÍSMO SATÂNICO:
Algozes, psicopatas do comunismo ou de sua antecâmara "o socialismo de todas as matizes"; teóricos da violência e mestres da crueldade, profissionais do crime
e líderes de todos os chacais e respectivas coortes de acólitos assassinos que obedeciam às maquinações das centrais de subversão),e de uma série de
bandidos, de ladrões e de torpes arruaceiros. Ao mesmo tempo que vociferavam chavões como “liberdade”, “igualdade”, “justiça”, “democracia” e “direitos dos povos”
impunham pelas armas, o terror, a repressão, a morte e a fome.
Fazedores da "revolução dos cravos vermelhos" cor
do sangue de milhões de seres humanos, portugueses, assassinados nas províncias ultramarinas, em prefiguração
sinistra dos célebres sovietes e comissariados que em 1917
transformaram a Rússia no maior campo de concentração e extermínio de que há memória, e que fizeram de tudo e tudo têm feito para eliminar a identidade do homem e a sua fé em Deus !
UM HERÓI PORTUGUÊS:
José Maria de Mendonça Júnior,
Coronel de Cavalaria e Comandante do Esquadrão de Dragões de Luanda, do Exército Português.
A BATALHA DE LUANDA? (uma História mal contada)
Considerada como registo de factos memoráveis, a História (tanto a que é escrita como a que é reproduzida oralmente) nem sempre é isso. Já que, com frequência, ela é adornada com omissões, acréscimos, desvios e quejandos ou mesmo – o que é ainda mais grave – com insucessos acobertados com roupagem factual. Os quais são fruto, nuns casos, de ignorância ou de lapsos de memória, involuntários ou não; e, noutros, são de entender-se com propósitos deliberados de contornar a verdade para fazer valer a mentira.
Não é de admirar que seja assim: afinal, quem protagoniza, escreve ou reproduz a História é sempre um ser humano, igual àquele que, expulso do paraíso por ter acreditado na "mentira da serpente", ficou por certo condenado, "ad vitam aeternam", a jamais conhecer a verdade na plenitude.
Da História antiga pouco se conhece nesse particular, mas da contemporânea os exemplos dessas omissões, acréscimos, desvios, etc, e sobretudo de insucessos apresentados como factos são múltiplos e estão à mão de semear. Constituem elas as chamadas "mentiras históricas", algumas das quais, como as ditas "armas de destruição maciva de Saddam" e o "11 de Setembro", foram tão estrondosamente badaladas por esse mundo fora, que ainda hoje, tanto tempo já passado, têm ressonâncias que quotidianamente nos torturam os ouvidos.
Como é óbvio, este nosso milenar Querido Portugal, sujeito como é também da História, não podia ser uma excepção, nesse particular. E não é efectivamente. Pois aqui também abundam e proliferam quotidianamente casos semelhantes acima referidos. Os quais ao assumir aspectos verdadeiramente escandalosos, sobretudo quando os desvios, os acréscimos, as omissões e as mentiras com que são enfeitados se relacionam com factos de ocorrência recente, possibilitando portanto fáceis testemunhos contraditórios.
Exemplo disso tudo podem ser encontrados facilmente, no pouco ou nada que se tem escrito e bem assim no muito que se tem dito, sobre esse momento da História do nosso País, a que se deu o nome de "descolonização". E muito particularmente na que envolveu Angola, onde o confronto de interesses foi sempre tão grande e tão imperante, que acabou, na maioria das vezes, por justificar a ausência daquilo que a História sempre exige: a isenção e a verdade.
Vem-nos momentaneamente, à memória, alguns de entre os mais gritantes. Ei-los:
– O início da rebelião contra o regime colonial, que uns atribuem ao "4 de Fevereiro" e outros ao "15 de Março", ambos ocorridos em 1961, quando na realidade, a História identifica-o com o que se passou na Baixa do Cassange em 1960 ou até mesmo com a "marcha dos tocoistas" contra São Salvador do Congo, ocorrido duas décadas antes;
– A "ponte aérea que, em 1975, transportou centenas de milhares de portugueses de Angola para Lisboa, a qual muitos dizem ter sido ideia do governo português de então, quando na verdade foi ela engendrada, financiada e organizada por uma potência estrangeira, os Estados Unidos da América, que antes havia feito tudo para correr com os europeus das suas colónias;
– O acordo de que raramente se tem ouvido falar, celebrado num jantar de um café restaurante da rua da Ópera em Paris, com a participação de Mário Soares, Álvaro Cunhal – que receberam cada um, 1 milhão de contos para que os seus respectivos partidos privilegiassem os movimentos pró-maxistas que existiam nas colónias portuguesas – e Boris Ponomorof, membro do então Governo Soviético, que impôs à "descolonização" o rumo político, que ela cumpriu.
A BATALHA DE LUANDA?
Tudo o que acima se afirma exprime a reacção que experimentámos quando, bem recentemente, tivemos a oportunidade de ver, num dos canais da TV Cabo, um documentário em que se fala da descolonização de Angola e muito particularmente da luta que se travou entre o MPLA e alguns dos seus opositores pela posse de Luanda. Luta que, tendo tido o seu auge a escassos dias da data da proclamação oficial da independência – 11 de Novembro de 1975 – ficou conhecida como a batalha de Luanda.
Além do relato das principais ocorrências, esse documentário foi completado com opiniões interpretativas, formuladas pessoalmente por um grupo de oficiais reformados das nossas Forças Armadas do qual se destacam dois:
– O Contra Almirante Rosa Coutinho e o
– O Brigadeiro Pezarat Correia
Um e outro com permanência em Angola, no "posto 25 de Abril", mas ali afastados muito antes da data da independência.
O documentário comporta, naturalmente, o que já não é surpresa, ou seja, os costumeiros desvios, omissões, contornos, e até mesmo inverdades com vestimenta factual. A mais escandalosa das quais foi expressa por aqueles dois conhecidos militares, que com o ar mais natural deste mundo, juraram e sacramentaram que foram tropas do MPLA, que, com a colaboração de alguns cubanos, enfrentaram, combateram e acabaram vencendo as forças da Oposição que, sob o comando do Coronel Gilberto Santos e Castro se propunham tomar de assalto Luanda, para impedir a proclamação da independência por parte do MPLA.
Repetimos: a versão formulada não tem visos de verdade e, como se disse, assume contornos de escândalo e mesmo de injúria, tanto mais reprovável quanto é certo ela atingir a honra de alguém que, por não ser já deste mundo não pode ripostar.
Assim sendo e em nossa opinião, a única forma de minorar ou mesmo anular os efeitos dessa injúria é reconstituir os factos, tal como ocorreram e com a caução de testemunhos presenciais, que ainda hoje e a qualquer momento, podem ser invocadas. É, pois, o que a seguir fazemos procurando respeitar o trajecto cronológico, para, deste modo, melhor entender tudo o que se passou.
O fim da luta armada em Angola ficou consagrado no acordo celebrado em Alvor (Algarve) no final de Janeiro de 1975, Acordo pelo qual se estabeleceu um governo de transição tripartido – Portugal e os três movimentos de libertação angolanos – a quem foi incumbida a tarefa de gerir o país até à data da independência marcada para 11 de Novembro desse mesmo ano.
Durou pouco esse governo. A rivalidade entre as três formações angolanas, a ambição pelo mando absoluto e também a passividade da parte portuguesa conduziram rapidamente à sua falência total. Surgiram e multiplicaram-se, um pouco por todo o lado, casos de violência envolvendo as três partes angolanas, de tal modo que, no final de Agosto desse ano, o MPLA já era senhor absoluto da capital, de onde havia expulsado sem mais aquelas os representantes da UNITA e da FNLA.
A opinião generalizada que então se formou, nessa altura, tanto em Angola como fóra, era de que, assim tendo procedido, o MPLA estava a preparar-se para, em 11 de Novembro, proclamar unilateralmente a independência, na expectativa de que a passividade da opinião pública, tanto interna como a externa, ajudasse a consagrar a ilegalidade.
Esqueceu-se, porém, Agostinho Neto, o então líder do MPLA. que, com a descoberta do petróleo, acontecida anos antes, Angola passára a estar sob vigilância cerrada que, então como agora, controlam a produção e o comércio do crude à escala mundial. O resultado dessa falha de memória foi que, pouco tempo depois, Angola era, sem mais aquelas, invadida por uma força militar sul-africana procedente da Namíbia. A qual, depois de tomar, sucessivamente, as cidades do Lubango, Benguela e Lobito, avançou em direcção a Luanda. Onde, no entanto, não chegou a entrar, já que ao atingir as margens do rio Quanza (a cerca de 200 kilómetros da capital) foi mandada parar.
Por ordem de quem e porquê? Ocorre naturalmente perguntar?
Segundo fontes diplomáticas sul africanas desse tempo, Washington, que havia sugerido a invasão, fora quem formulára essa espécie de contra-ordem, acompanhada de um novo pedido: que os sul africanos transferissem parte do material bélico que transportavam para um outro grupo armado, que, constituído por guerrilheiros da FNLA, soldados zairenses disponibilizados por Mobutu e alguns voluntários portugueses, e sob o comando do Coronel Santos e Castro, se encontravam, nessa altura, a assediar Luanda pelo Norte, com o objectivo de a tomar, antes da data da proclamação da independência.
Uma vez na posse do material cedido pelos sul-africanos , que incluía três peças G5 – fabricadas na RSA e capazes de atingir objectivos localizados de até 50 Kms – (chamados n'gola kiluando) Santos e Castro começou a preparar o ataque e a tomada de Luanda concebido nos seguintes termos: bombardear primeiro, utilizando as peças cedidas, com vista a estabelecer o pânico entre os defensores e a população da capital e, a seguir, realizar o assalto por terra. Plano que, uma vez concebido, foi divulgado via Kinshasa, com vista naturalmente a desmoralizar ainda mais o inimigo.
Sendo assim, no dia 6 de Novembro, depois de ter tomado a vila de Caxito, estabeleceu-se ele com os seus homens no Morro da Cal – uma pequena elevação de terreno situada a cerca de 30 Kms de Luanda e dali fez três disparos dos G5 contra a capital. Dos quais um atingiu a pista do aeroporto, outro caiu na baía e o terceiro atingiu a refinaria de petróleo do Alto da Mulemba, provocando um incêndio, que acabou por ser dominado.
A estratégia resultou em pleno: o pânico previsto estabeleceu-se e generalizou-se, e, naturalmente começaram a circular boatos os mais diversos, um dos quais um concebido em termos de suscitar histeria colectiva e pavor. Eles os "fenelas" – assim o vulgo luandense chamava aos homens de Holden Roberto – vão entrar e vão degolar todos: pretos brancos e mulatos.
Entretanto, as horas e os dias foram passando nessa terrível expectativa que se ia acentuando à medida que, um pouco por todo o lado na cidade, se ia escutando sons de disparos, resultantes do confronto que se ia verificando amiúde entre grupos de soldados que Santos e Castro ia mandando avançar em missões de sondagem do terreno e os militares que o MPLA tinha colocado fora do perímetro urbano da capital com missões de entreter o inimigo para deste modo possibilitar o envio de reforços.
Chegou-se finalmente a 11 de Novembro, dia marcado para a proclamação da independência, sem que no entanto se houvesse realizado o prometido assalto à capital. Mesmo assim, o pânico generalizado imperava e manteve-se sempre desde o nascer ao pôr do Sol desse dia histórico, durante o qual o único facto de registo sucedeu cerca das 16 horas, quando o alto-comissário representante da soberania portuguesa, um militar de alta patente português, General Silva Cardoso, mandou arrear a Bandeira das Quinas que encimava o velho palácio da cidade alta, dobrou-a e, com ela debaixo de um dos braços, tomou o caminho da Ilha de Luanda, onde o aguardava um navio de guerra, para o trazer de regresso definitivo a Portugal.
Deste modo inesperado e ademais ridículo e triste se concretizou o episódio final de quase cinco séculos de Histórial!!!
Entretanto, e porque a crença generalizada era de que os homens de Santos e Castro ainda poderiam atingir Luanda, a cerimónia oficial da proclamação da independência, marcada inicialmente para as 17 horas desse dia, foi sendo sucessivamente protelada e acabou por ter lugar só em plena noite e de uma forma algo improvisada.
Assim e apesar de todas as promessas e ameaças, os homens do coronel falharam: nem entraram na cidade nesse dia nem posteriormente realizaram qualquer tentativa nesse sentido, preferindo antes deixar os arredores da capital e empreender uma retirada em direcção à fronteira com o Zaire.
Porque esse falhanço, porque tudo isso? Importa perguntar?
A resposta ouvimo-la já aqui em Lisboa. Primeiro da boca do Coronel Santos e Castro, poucos meses antes da sua morte; e logo a seguir, por intermédio de alguns portugueses e angolanos, que foram seus companheiros nessa aventura. E tivemo-la confirmada, mais tarde, pelas mesmas fontes diplomáticas sul-africanas atrás referidas. Ei-la, pois, reproduzida de forma sintética mas clara.
De, José Maria de Mendonça Júnior, Coronel de Cavalaria (Dragões) do Exército Português.
TEN-COR. GILBERTO SANTOS E
CASTRO, CO-FUNDADOR DOS COMANDOS.
"Estamos em Agosto de
1975. Um pequeno grupo de portugueses desembarca em Angola. Eram poucos. Todos assistimos à maior
mentira do século: a "independência" de Angola.
Qual
Angola?
A
que víramos próspera, virada ao futuro, na preocupação do bem estar das suas
gentes, na riqueza da sua história, no valor da sua cultura, na
٭9
grandeza
e na dimensão do seu viver? Ou a que encontramos destruída, com os povos
famintos a fugir de um lado a outro, para morrerem mais tarde? A que
encontrámos em gritos de dor e pedindo a nossa ajuda, uma palavra de esperança,
uma afirmação de que tudo era um pesadelo e de que voltariam à tranquilidade do
seu viver?
Qual
independência?
A
que trouxe a Angola a ocupação colonial por um exército estrangeiro, em
flagrante conquista militar, sem quaisquer laços que liguem o povo aos
ocupantes, para além da anuência de uma minoria dirigente e totalitária e
porque um governo, em Lisboa — provisório mas definitivamente irresponsável — o
consentiu também? O que pensa realmente deste facto trágico o povo português e
desgraçadamente o que pensará o povo de Angola?
Foi
um grupo pequeno que se bateu contra isto tudo. Merecem por isso o respeito e a
consideração de todos os portugueses. Por se terem batido e porque se bateram
bem.
Alguns
pagaram cara a sua dádiva. E quando no pequeno cemitério do Ambriz desceram à
terra, com toda a população a assistir em religioso silêncio, com as honras
devidas e cobertos com a Bandeira Portuguesa, repetia-se apenas o que ao longo
dos séculos acontecera. Mais uma vez aquela terra
٭10
acolhia
generoso sangue português. Ali estivemos também, meditando e sentindo mais
vontade para continuar.
A
história deste livro, na simplicidade do relato de uma boa parte dos combates
que tiveram de travar-se, dá bem conta do que foi essa luta. Não podemos,
porém, deixar de recordar também com sentido respeito os que pelo sul de Angola
e em combates de gigantes, libertaram sucessivamente Pereira de Eça, Sá da
Bandeira, Moçâmedes e Lobito. Ali tombaram outros tantos, que recordamos com
saudade e a maior veneração.
O
relatar de uma guerra, na verdade dos factos e com humildade, é privilégio dos
que sabem bater-se. É este o caso, na óptica de quem o soube fazer e fazer bem.
A outra história, a dos bastidores da intriga política, ficará para ser contada
oportunamente. Ela terá de ser contada um dia e sê-lo-á...
Fomos
derrotados naquela batalha, mas vencidos ainda não.
Em
Julho de 1975 os soldados cubanos começaram a desembarcar em Angola. Faltavam
cinco meses para a independência estabelecida nos Acordos de Alvor, e o
exército cubano, apoiado
٭11
por
material de guerra russo pesado e sofisticado (tanques e mísseis), começou a
invadir Angola.
O
povo português desconhecia em absoluto este facto, porque a Informação
(imprensa, rádio e TV) "mais livre do mundo" simplesmente o ocultava.
Aliás, em Julho de 75 tinha também começado no norte do país o célebre
"Verão quente". O povo andava atarefado em travar a escalada
comunista e tinha perfeita consciência de que se o conseguisse a tempo, Angola
nunca cairia sob o domínio soviético. Mas o povo do norte foi traído pelas
mesmas pessoas que traíram os angolanos. Não foi por acaso que o "25 de
Novembro" só aconteceu depois de consumado o "11 de Novembro",
data da entrega oficial de Angola à Rússia.
A
primeira importância deste livro, escrito por três Comandos Especiais que tive
o orgulho de comandar, é a de provar, com a simplicidade de uma prova visível e
concreta, que o exército cubano invadiu Angola antes da independência. Eu
próprio comandei os combates que os Comandos Especiais travaram contra os
cubanos em Angola, durante os meses de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro de
1975... Só na parte norte de Luanda, para "defender" a cidade,
estacionavam seis batalhões cubanos completamente equipados, armados e
municiados.
٭12
Feita
a prova desta terrível verdade, surge a segunda importância deste livro: — Quem
autorizou ou quem facilitou a entrada dos cubanos? Quem constituía, nessa
época, o Poder em Portugal? Presidente da República, Governo e Conselho da
Revolução. Muitos membros-desses órgãos do Poder continuam hoje a ser
governantes. Grande parte deles são os mesmos. Como é isto possível? Sobre os
ombros desses homens pesa a responsabilidade da morte de milhares e milhares de
homens, de mulheres e de crianças. Pesa ainda a gravíssima responsabilidade de
terem impedido a libertação da nação angolana. Que povo pode ser livre, quando
ocupado por um exército de 30.000 soldados estrangeiros?
Quem
autorizou a entrada do exército cubano em Angola, quando o poder soberano ainda
pertencia (e pertenceria durante vários meses) ao governo português?
Enquanto
esta pergunta não for respondida, que importância podem ter os escândalos em
que se envolvem altas figuras do regime e o que podem significar os delitos, os
compromissos ou os compadrios que os levaram ao Poder?
Mas
enquanto houver portugueses da raça destes Comandos Especiais que foram lutar
contra os cubanos, aquela pergunta há-de ter uma resposta. Não se saberá
quando, mas terá de ser dada
٭13
às
centenas de milhar de mortos, aos que perderam a dimensão de viver e aos que
vagueiam apátridas e atónitos...
Visto
à luz da História, os Comandos Especiais eram em número ridiculamente pequeno. Apenas
um punhado de homens: pouco mais de uma centena e meia.
Vieram
de todos os cantos do mundo. Alguns tinham já sido Comandos, ao tempo da sua
vida de militares em Angola ou em Moçambique.
Vieram
espontaneamente. Nada lhes foi oferecido, e eles nenhumas condições impuseram. Claramente
lhes foi dito que os Comandos Especiais iriam apenas ser a resposta altiva dum
punhado de portugueses à cobardia e à traição dos que entregavam a Pátria às
potências estrangeiras.
Vieram
por sua própria e livre iniciativa, na louca esperança de ainda salvar o nosso
povo duma desonra afrontosa e de uma perda irreparável.
Logo
no primeiro recrutamento surgiram aqueles que iriam constituir a mais
extraordinária, a mais inconcebível, a mais desesperada força militar que
alguma vez se propôs fazer frente ao
٭14
império
comunista: 156 homens dispondo de reduzidíssimo armamento, dependendo quase que
exclusivamente de si próprios, pois o apoio logístico era praticamente
inexistente. Estavam dispostos a enfrentar o MPLA comunista, mas não sabiam
ainda que uma das mais poderosas máquinas político-militares do mundo iria
lançar abertamente todo o seu peso na luta a favor do MPLA. Igualmente
ignoravam que as autoridades portuguesas iriam dar cobertura aos comunistas.
Mas
mesmo que o soubessem, na altura em que se dispuseram a lutar para defender
Angola da estratégia soviética, isso não os faria recuar.
Na
realidade a acção desse punhado de homens começou no Verão de 75. O "Verão
Quente" de Angola.
Quando
se verificaram os primeiros incidentes graves, em Maio/Junho de 75, em Luanda e
nas áreas que impropriamente designaram como "zonas de influência",
esses incidentes deram-se apenas entre os "movimentos de libertação",
MPLA incluído.
A
cruzada parecia fácil. Se os Comandos Especiais tivessem de enfrentar apenas o
MPLA, as coisas teriam seguido um outro rumo: nunca os comunistas teriam tido a
possibilidade de tomar conta de Angola.
15*
O
Alto-Comissário que representava nessa altura o Governo Português em Angola
teve uma acção claramente definida: de acordo com a letra e o espírito dos
tratados, não concedeu nem concederia qualquer privilégio especial a nenhum dos
três movimentos. Fixada a data da independência de Angola para 11 de
Novembro, seriam até lá tratados em plena igualdade as três forças que entre si
disputavam a supremacia em Angola. Mas essa correcta e imparcial acção
contrariava os secretos desígnios dos chefes comunistas. O Alto-Comissário
juntamente com o Comandante Militar, foram chamados de urgência a Lisboa. Em
contra-partida, Rosa Coutinho foi para Luanda. Por curiosa coincidência,
precisamente na altura em que eu próprio cheguei também a Angola. Estávamos em
Agosto: exactamente no dia 5, desse ano de 1975.
A situação ali já não constituía segredo para
ninguém: desde Junho que cubanos e russos mantinham, sem quaisquer preocupações
de segredo, o seu Quartel-General em Luanda, na casa que fora do Administrador
da Petrangol. Aí funcionava abertamente esse Quartel-General, com todas as
secções e com todo o pessoal. Estávamos ainda en-
٭16
tão sob o controle do governo português, esse
mesmo governo que num tratado de cariz internacional acordara não dar nem
permitir que fosse dada qualquer espécie de tratamento preferencial a nenhum dos
três movimentos competidores.
No entanto os soldados cubanos desembarcavam em
vagas cada vez maiores em Luanda, nesse Verão de 75. Todo o material de guerra
que consigo traziam, ali desembarcou à vista de toda a gente.
Quando os desembarques começaram a ser feitos em
massa, em meados de Agosto, passaram a ter lugar em Novo Redondo. E era às
claras que diariamente rolavam as colunas militares de soldados e material
cubano e russo, rumo a Luanda. Quanto ao MPLA, o movimento que servia de
cobertura a essa clara invasão comunista, estava completamente subordinado ao
Quartel-General cubano de Angola.
Quem poderia ignorar estes factos? Na realidade,
ninguém. Nem em Angola nem mesmo nos países vizinhos. E muito menos o governo
português, ou pelo menos o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário
Soares.
Foi na própria Emissora oficial de Angola — ainda
sob a tutela de Portugal e das autoridades portuguesas — foi através da própria
Emissora oficial que se fizeram constantes e insistentes
٭17
apelos para que voluntários se apresentassem no
cais para trabalhar na descarga desse material cubano e russo. E muitos foram
os trabalhadores que acabaram por ser apanhados à força — brancos e negros — e
obrigados a ir para o porto trabalhar forçadamente no desembarque desse
material.
O facto dos Comandos Especiais terem lutado
contra o MPLA — e contra os cubanos e russos que os apoiavam — ao lado de
Holden Roberto, poderá levar a pensar que esse punhado de homens fazia parte da
FNLA.
Não é verdade.
A FNLA serviu de ponto de apoio para esses
homens, cujo único objectivo não era nem o da conquista de riqueza ou fortuna,
nem sequer o de passageira glória. Era simplesmente o desejo de manter Angola
como nação livre e sem interferências estrangeiras no caminho do seu progresso.
Os Comandos Especiais e eu próprio demos o nosso
apoio à FNLA, por ser essa a via mais rápida para tentarmos deter a avalanche
comunista que ameaçava ocupar Angola.
Foi esse o teor do acordo inicial com Holden
Roberto a quem clara e iniludivelmente afirmei
٭18
que nunca seriamos enquadrados nas fileiras da
FNLA — com o que ele plenamente concordou.
De resto — e importa que se diga — Holden Roberto
mal conhecia a realidade de Angola.
Para todos nós, para os que ali tínhamos nascido
ou os que dali tinham feito a sua terra-mãe, era quase chocante ver o espanto
que Holden demonstrava perante o progresso duma terra que ele tinha esperado
encontrar primitiva e escravizada, árida e abandonada como a propaganda
estrangeira proclamava. Como nota curiosa, posso revelar que perante uma
barragem (das Mabubas) já colocada fora de uso por obsoleta e apta apenas a
servir em curtos períodos de emergência de apoio à barragem (de Cambambe)que
servia Luanda, vimos Holden abrir os olhos de espanto perante tão
"extraordinária realização"...
Noutra ocasião, na Fazenda "Tentativa",
Holden Roberto viu uma fábrica de açúcar também já ultrapassada por não ter
capacidade de laboração para a matéria prima que ali se produzia e que por tal
motivo estava para ser desmanchada. Era uma fábrica que eu conhecia desde
menino. Pois Holden Roberto não escondeu o seu espanto perante a sua
"grandiosidade"...
Talvez por tudo isso, e também porque ele podia
verificar que muitos de nós conhecíamos Angola
٭19
desde Cabinda ao Cunene e que todos amávamos
aquela terra que queríamos que continuasse a ser também nossa, talvez por isso
ele nos respeitava e nos dava todo o apoio que podia.
No entanto todo o esforço desesperado desses
homens que quiseram defender Angola do inimigo soviético se perdeu.
Ingloriamente, diga-se. Por vil traição.
Tanto os angolanos como os portugueses
acreditaram que os representantes do governo português honrariam os seus
compromissos de imparcialidade tal como haviam sido assumidos em Alvor. Não o
fizeram. É já um facto historicamente comprovado que o governo português
apoiou, muito antes da data da independência, a invasão dos cubanos, checos,
húngaros e russos em Angola, tal como aprovou e consentiu no estabelecimento de
quartéis e na distribuição de armamento, desde o mais simples ao mais
sofisticado, desde as armas ligeiras aos mísseis russos, os célebres
"órgãos de Staline"...
Quem permitiu, quem sancionou, quem colaborou
nessa monstruosa traição que veio a culminar na entrega de Angola e Moçambique
ao colonialismo soviético?
٭20
Muita gente me tem perguntado por que não
entrámos em Luanda, quando a imprensa internacional chegou a noticiar que
estávamos à vista da cidade do dia 10 de Novembro, precisamente no morro
fronteiro ao Cacuaco. Este livro será uma resposta suficiente, embora muitos
aspectos não possam ainda ser revelados.
Esses heróis que se chamaram Comandos Especiais
fizeram tudo quanto puderam. Lutando com desespero contra o tempo, conseguiram
de facto chegar à vista de Luanda antes da data da independência, levando de
roldão à sua frente as sucessivas vagas de cubanos que se interpunham entre
eles e a capital. Se a tivessem conseguido atingir antes do 11 de Novembro,
tê-la-iam tomado, e não seriam as guarnições cubanas, inadaptadas para a
guerrilha urbana, numa ci-dade que desconheciam e temiam, que o poderiam ter
impedido.
Mas entraves de toda a ordem condicionaram a
ofensiva sobre Luanda, desde o não consentimento de manobras de diversão ou
alterações de frente, até ao atrasar sistemático do assalto à cidade na
sequência da primeira arrancada que em 48 horas nos levou do Ambriz ao
Caxito... para nos quedarmos mais de vinte dias sem gasolina.
٭21
As pressões que se exerceram sobre Holden Roberto
— constantemente mal esclarecido e enganado — no sentido de fazer coincidir o
início do assalto com a véspera do dia marcado para a independência,
funcionaram deliberadamente para que não entrássemos em Luanda. A artilharia
abandonou as posições sem qualquer aviso e exactamente quanto mais dela
carecíamos para o assalto ao Morro de Quifandongo o qual, uma vez tomado,
abriria o caminho para a cidade em terreno plano e sem obstáculos.
Por tudo isto não ocupamos Luanda. Foi-nos
retirado o apoio de fogo pesado dos dois obuses de 140, abandonados mais tarde
em Ambrizete e transformados em massas de ferro inútil porque as suas
guarnições — evacuadas de helicóptero — levaram as culatras...
Ali ficamos sob intenso fogo do inimigo. O
barulho da onda de mísseis parecia uma terrível e contínua trovoada. Os
Comandos Especiais ficaram colados ao terreno e impedidos de dar resposta.
Ali
ficou só um punhado de Comandos Especiais no dia 10 de Novembro, véspera do dia
fixado para a independência. Tudo havia retirado. Do nosso posto de observação
sobranceiro à cidade que não havíamos podido alcançar, vi sair do porto
٭22
de
Luanda a fragata que levava as autoridades portuguesas.
Eram
quatro horas e meia da tarde do dia 10 de Novembro de 1975.
Os Comandos Especiais olharam o silencioso afastamento
daquela fragata que levava no convés apinhado de gente os últimos restos de uma
presença de cinco séculos. As lágrimas de raiva e de impotência rolaram pelas
faces dos Comandos que o sol de Angola curtira. A fragata lançou ferro no
limite das águas costeiras e ali ficou parada até à meia noite. Num arremedo de
macabra farsa, à meia noite em ponto, esse navio da Armada Portuguesa iluminou
em arco e salvou a terra...
Depois, como que num silêncio de vergonha, fez-se
ao largo".
Gilberto Santos e Castro.
¡ MEMÓRIAS VENERADAS DE OUTROS DIAS !
Soberbos monumentos do passado,
esplendores, relíquias frias ...
Donde a arte verteu as suas fantasias
donde a alma expressou as Glórias do teu passado
na tua bela História de outras idades lúcidas.
As ciências agrupadas em seus ombros te alçaram
ao mundo de olhos pasmados.
O Império que foste e que criações fizeste
foste pasmo e assombro das gentes.
Pátria minha... A lança que te feriu de morte
foi tão rápida que pasma as nossas angustiadas mentes.
Vivemos anos de amarga traição
e amarguras tantas de servil humilhação!
Pátria desventurada levanta-te já
da tua indolência extrema ...
Que é hora de redenção suprema!
Que o vão temor ganhe força ...
ao erguer das ruínas a bandeira das quinas
a bandeira verde-rubra, a bandeira da Nação !
Poema de, Rogéria Gillemans
¡ Registado no Ministério da cultura - Inspecção Geral das Actividades Culturais, I.G.A.C. – Processo N°3089/2009 !
Monumento aos
Combatentes da Grande Guerra, tinha a seguinte inscrição
"Portugal aos
seus Combatentes europeus e africanos da Grande Guerra, 1914-1918".
A
escultura feminina representava a Pátria, os soldados os seus Valorosos
Defensores.
(Monumento,
também, conhecido como "Estátua da Maria da Fonte")