O CRIME DE TRAIÇÃO À PÁTRIA:

O CRIME DE TRAIÇÃO À PÁTRIA:

O Art.º-141.º Do Código Penal é simples e claro: "Será condenado na pena de prisão maior de vinte a vinte e quatro anos, todo o português que: 1.º intentar, por qualquer meio violento ou fraudulento ou com auxílio estrangeiro, separar da mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro todo ou parte do território português, ou por qualquer desses meios ofender ou puser em perigo a independência do País. 2.º Tomar armas, debaixo das bandeiras de uma nação estrangeira, contra a Pátria". Simples e claro como o juízo do nosso povo, quanto à forma como a Pátria foi mutilada.

¡ GILBERTO SANTOS E CASTRO !


TEN-COR. GILBERTO SANTOS E CASTRO, CO-FUNDADOR DOS COMANDOS.

"Estamos em Agosto de 1975. Um pequeno grupo de portugueses desembarca em Angola. Eram poucos.
Todos assistimos à maior mentira do século: a "independência" de Angola.
Qual Angola?
A que víramos próspera, virada ao futuro, na preocupação do bem estar das suas gentes, na riqueza da sua história, no valor da sua cultura, na
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grandeza e na dimensão do seu viver? Ou a que encontramos destruída, com os povos famintos a fugir de um lado a outro, para morrerem mais tarde? A que encontrámos em gritos de dor e pedindo a nossa ajuda, uma palavra de esperança, uma afirmação de que tudo era um pesadelo e de que voltariam à tranquilidade do seu viver?
Qual independência?
A que trouxe a Angola a ocupação colonial por um exército estrangeiro, em flagrante conquista militar, sem quaisquer laços que liguem o povo aos ocupantes, para além da anuência de uma minoria dirigente e totalitária e porque um governo, em Lisboa — provisório mas definitivamente irresponsável — o consentiu também? O que pensa realmente deste facto trágico o povo português e desgraçadamente o que pensará o povo de Angola?
Foi um grupo pequeno que se bateu contra isto tudo. Merecem por isso o respeito e a consideração de todos os portugueses. Por se terem batido e porque se bateram bem.
Alguns pagaram cara a sua dádiva. E quando no pequeno cemitério do Ambriz desceram à terra, com toda a população a assistir em religioso silêncio, com as honras devidas e cobertos com a Bandeira Portuguesa, repetia-se apenas o que ao longo dos séculos acontecera. Mais uma vez aquela terra
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acolhia generoso sangue português. Ali estivemos também, meditando e sentindo mais vontade para continuar.
A história deste livro, na simplicidade do relato de uma boa parte dos combates que tiveram de travar-se, dá bem conta do que foi essa luta. Não podemos, porém, deixar de recordar também com sentido respeito os que pelo sul de Angola e em combates de gigantes, libertaram sucessivamente Pereira de Eça, Sá da Bandeira, Moçâmedes e Lobito. Ali tombaram outros tantos, que recordamos com saudade e a maior veneração.
O relatar de uma guerra, na verdade dos factos e com humildade, é privilégio dos que sabem bater-se. É este o caso, na óptica de quem o soube fazer e fazer bem. A outra história, a dos bastidores da intriga política, ficará para ser contada oportunamente. Ela terá de ser contada um dia e sê-lo-á...
Fomos derrotados naquela batalha, mas vencidos ainda não.
Em Julho de 1975 os soldados cubanos começaram a desembarcar em Angola. Faltavam cinco meses para a independência estabelecida nos Acordos de Alvor, e o exército cubano, apoiado
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por material de guerra russo pesado e sofisticado (tanques e mísseis), começou a invadir Angola.
O povo português desconhecia em absoluto este facto, porque a Informação (imprensa, rádio e TV) "mais livre do mundo" simplesmente o ocultava. Aliás, em Julho de 75 tinha também começado no norte do país o célebre "Verão quente". O povo andava atarefado em travar a escalada comunista e tinha perfeita consciência de que se o conseguisse a tempo, Angola nunca cairia sob o domínio soviético. Mas o povo do norte foi traído pelas mesmas pessoas que traíram os angolanos. Não foi por acaso que o "25 de Novembro" só aconteceu depois de consumado o "11 de Novembro", data da entrega oficial de Angola à Rússia.
A primeira importância deste livro, escrito por três Comandos Especiais que tive o orgulho de comandar, é a de provar, com a simplicidade de uma prova visível e concreta, que o exército cubano invadiu Angola antes da independência. Eu próprio comandei os combates que os Comandos Especiais travaram contra os cubanos em Angola, durante os meses de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro de 1975... Só na parte norte de Luanda, para "defender" a cidade, estacionavam seis batalhões cubanos completamente equipados, armados e municiados.
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Feita a prova desta terrível verdade, surge a segunda importância deste livro: — Quem autorizou ou quem facilitou a entrada dos cubanos? Quem constituía, nessa época, o Poder em Portugal? Presidente da República, Governo e Conselho da Revolução. Muitos membros-desses órgãos do Poder continuam hoje a ser governantes. Grande parte deles são os mesmos. Como é isto possível? Sobre os ombros desses homens pesa a responsabilidade da morte de milhares e milhares de homens, de mulheres e de crianças. Pesa ainda a gravíssima responsabilidade de terem impedido a libertação da nação angolana. Que povo pode ser livre, quando ocupado por um exército de 30.000 soldados estrangeiros?
Quem autorizou a entrada do exército cubano em Angola, quando o poder soberano ainda pertencia (e pertenceria durante vários meses) ao governo português?
Enquanto esta pergunta não for respondida, que importância podem ter os escândalos em que se envolvem altas figuras do regime e o que podem significar os delitos, os compromissos ou os compadrios que os levaram ao Poder?
Mas enquanto houver portugueses da raça destes Comandos Especiais que foram lutar contra os cubanos, aquela pergunta há-de ter uma resposta. Não se saberá quando, mas terá de ser dada
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às centenas de milhar de mortos, aos que perderam a dimensão de viver e aos que vagueiam apátridas e atónitos...
Visto à luz da História, os Comandos Especiais eram em número ridiculamente pequeno. Apenas um punhado de homens: pouco mais de uma centena e meia.
Vieram de todos os cantos do mundo. Alguns tinham já sido Comandos, ao tempo da sua vida de militares em Angola ou em Moçambique.
Vieram espontaneamente. Nada lhes foi oferecido, e eles nenhumas condições impuseram. Claramente lhes foi dito que os Comandos Especiais iriam apenas ser a resposta altiva dum punhado de portugueses à cobardia e à traição dos que entregavam a Pátria às potências estrangeiras.
Vieram por sua própria e livre iniciativa, na louca esperança de ainda salvar o nosso povo duma desonra afrontosa e de uma perda irreparável.
Logo no primeiro recrutamento surgiram aqueles que iriam constituir a mais extraordinária, a mais inconcebível, a mais desesperada força militar que alguma vez se propôs fazer frente ao
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império comunista: 156 homens dispondo de reduzidíssimo armamento, dependendo quase que exclusivamente de si próprios, pois o apoio logístico era praticamente inexistente. Estavam dispostos a enfrentar o MPLA comunista, mas não sabiam ainda que uma das mais poderosas máquinas político-militares do mundo iria lançar abertamente todo o seu peso na luta a favor do MPLA. Igualmente ignoravam que as autoridades portuguesas iriam dar cobertura aos comunistas.
Mas mesmo que o soubessem, na altura em que se dispuseram a lutar para defender Angola da estratégia soviética, isso não os faria recuar.
Na realidade a acção desse punhado de homens começou no Verão de 75. O "Verão Quente" de Angola.
Quando se verificaram os primeiros incidentes graves, em Maio/Junho de 75, em Luanda e nas áreas que impropriamente designaram como "zonas de influência", esses incidentes deram-se apenas entre os "movimentos de libertação", MPLA incluído.
A cruzada parecia fácil. Se os Comandos Especiais tivessem de enfrentar apenas o MPLA, as coisas teriam seguido um outro rumo: nunca os comunistas teriam tido a possibilidade de tomar conta de Angola.
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O Alto-Comissário que representava nessa altura o Governo Português em Angola teve uma acção claramente definida: de acordo com a letra e o espírito dos tratados, não concedeu nem concederia qualquer privilégio especial a nenhum dos três movimentos. Fixada a data da independência de Angola para 11 de Novembro, seriam até lá tratados em plena igualdade as três forças que entre si disputavam a supremacia em Angola. Mas essa correcta e imparcial acção contrariava os secretos desígnios dos chefes comunistas. O Alto-Comissário juntamente com o Comandante Militar, foram chamados de urgência a Lisboa. Em contra-partida, Rosa Coutinho foi para Luanda. Por curiosa coincidência, precisamente na altura em que eu próprio cheguei também a Angola. Estávamos em Agosto: exactamente no dia 5, desse ano de 1975.
A situação ali já não constituía segredo para ninguém: desde Junho que cubanos e russos mantinham, sem quaisquer preocupações de segredo, o seu Quartel-General em Luanda, na casa que fora do Administrador da Petrangol. Aí funcionava abertamente esse Quartel-General, com todas as secções e com todo o pessoal. Estávamos ainda en-
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tão sob o controle do governo português, esse mesmo governo que num tratado de cariz internacional acordara não dar nem permitir que fosse dada qualquer espécie de tratamento preferencial a nenhum dos três movimentos competidores.
No entanto os soldados cubanos desembarcavam em vagas cada vez maiores em Luanda, nesse Verão de 75. Todo o material de guerra que consigo traziam, ali desembarcou à vista de toda a gente.
Quando os desembarques começaram a ser feitos em massa, em meados de Agosto, passaram a ter lugar em Novo Redondo. E era às claras que diariamente rolavam as colunas militares de soldados e material cubano e russo, rumo a Luanda. Quanto ao MPLA, o movimento que servia de cobertura a essa clara invasão comunista, estava completamente subordinado ao Quartel-General cubano de Angola.
Quem poderia ignorar estes factos? Na realidade, ninguém. Nem em Angola nem mesmo nos países vizinhos. E muito menos o governo português, ou pelo menos o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares.
Foi na própria Emissora oficial de Angola — ainda sob a tutela de Portugal e das autoridades portuguesas — foi através da própria Emissora oficial que se fizeram constantes e insistentes
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apelos para que voluntários se apresentassem no cais para trabalhar na descarga desse material cubano e russo. E muitos foram os trabalhadores que acabaram por ser apanhados à força — brancos e negros — e obrigados a ir para o porto trabalhar forçadamente no desembarque desse material.
O facto dos Comandos Especiais terem lutado contra o MPLA — e contra os cubanos e russos que os apoiavam — ao lado de Holden Roberto, poderá levar a pensar que esse punhado de homens fazia parte da FNLA.
Não é verdade.
A FNLA serviu de ponto de apoio para esses homens, cujo único objectivo não era nem o da conquista de riqueza ou fortuna, nem sequer o de passageira glória. Era simplesmente o desejo de manter Angola como nação livre e sem interferências estrangeiras no caminho do seu progresso.
Os Comandos Especiais e eu próprio demos o nosso apoio à FNLA, por ser essa a via mais rápida para tentarmos deter a avalanche comunista que ameaçava ocupar Angola.
Foi esse o teor do acordo inicial com Holden Roberto a quem clara e iniludivelmente afirmei
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que nunca seriamos enquadrados nas fileiras da FNLA — com o que ele plenamente concordou.
De resto — e importa que se diga — Holden Roberto mal conhecia a realidade de Angola.
Para todos nós, para os que ali tínhamos nascido ou os que dali tinham feito a sua terra-mãe, era quase chocante ver o espanto que Holden demonstrava perante o progresso duma terra que ele tinha esperado encontrar primitiva e escravizada, árida e abandonada como a propaganda estrangeira proclamava. Como nota curiosa, posso revelar que perante uma barragem (das Mabubas) já colocada fora de uso por obsoleta e apta apenas a servir em curtos períodos de emergência de apoio à barragem (de Cambambe)que servia Luanda, vimos Holden abrir os olhos de espanto perante tão "extraordinária realização"...
Noutra ocasião, na Fazenda "Tentativa", Holden Roberto viu uma fábrica de açúcar também já ultrapassada por não ter capacidade de laboração para a matéria prima que ali se produzia e que por tal motivo estava para ser desmanchada. Era uma fábrica que eu conhecia desde menino. Pois Holden Roberto não escondeu o seu espanto perante a sua "grandiosidade"...
Talvez por tudo isso, e também porque ele podia verificar que muitos de nós conhecíamos Angola
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desde Cabinda ao Cunene e que todos amávamos aquela terra que queríamos que continuasse a ser também nossa, talvez por isso ele nos respeitava e nos dava todo o apoio que podia.
No entanto todo o esforço desesperado desses homens que quiseram defender Angola do inimigo soviético se perdeu.
Ingloriamente, diga-se. Por vil traição.
Tanto os angolanos como os portugueses acreditaram que os representantes do governo português honrariam os seus compromissos de imparcialidade tal como haviam sido assumidos em Alvor. Não o fizeram. É já um facto historicamente comprovado que o governo português apoiou, muito antes da data da independência, a invasão dos cubanos, checos, húngaros e russos em Angola, tal como aprovou e consentiu no estabelecimento de quartéis e na distribuição de armamento, desde o mais simples ao mais sofisticado, desde as armas ligeiras aos mísseis russos, os célebres "órgãos de Staline"...
Quem permitiu, quem sancionou, quem colaborou nessa monstruosa traição que veio a culminar na entrega de Angola e Moçambique ao colonialismo soviético?
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Muita gente me tem perguntado por que não entrámos em Luanda, quando a imprensa internacional chegou a noticiar que estávamos à vista da cidade do dia 10 de Novembro, precisamente no morro fronteiro ao Cacuaco. Este livro será uma resposta suficiente, embora muitos aspectos não possam ainda ser revelados.
Esses heróis que se chamaram Comandos Especiais fizeram tudo quanto puderam. Lutando com desespero contra o tempo, conseguiram de facto chegar à vista de Luanda antes da data da independência, levando de roldão à sua frente as sucessivas vagas de cubanos que se interpunham entre eles e a capital. Se a tivessem conseguido atingir antes do 11 de Novembro, tê-la-iam tomado, e não seriam as guarnições cubanas, inadaptadas para a guerrilha urbana, numa ci-dade que desconheciam e temiam, que o poderiam ter impedido.
Mas entraves de toda a ordem condicionaram a ofensiva sobre Luanda, desde o não consentimento de manobras de diversão ou alterações de frente, até ao atrasar sistemático do assalto à cidade na sequência da primeira arrancada que em 48 horas nos levou do Ambriz ao Caxito... para nos quedarmos mais de vinte dias sem gasolina.
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As pressões que se exerceram sobre Holden Roberto — constantemente mal esclarecido e enganado — no sentido de fazer coincidir o início do assalto com a véspera do dia marcado para a independência, funcionaram deliberadamente para que não entrássemos em Luanda. A artilharia abandonou as posições sem qualquer aviso e exactamente quanto mais dela carecíamos para o assalto ao Morro de Quifandongo o qual, uma vez tomado, abriria o caminho para a cidade em terreno plano e sem obstáculos.
Por tudo isto não ocupamos Luanda. Foi-nos retirado o apoio de fogo pesado dos dois obuses de 140, abandonados mais tarde em Ambrizete e transformados em massas de ferro inútil porque as suas guarnições — evacuadas de helicóptero — levaram as culatras...
Ali ficamos sob intenso fogo do inimigo. O barulho da onda de mísseis parecia uma terrível e contínua trovoada. Os Comandos Especiais ficaram colados ao terreno e impedidos de dar resposta.
Ali ficou só um punhado de Comandos Especiais no dia 10 de Novembro, véspera do dia fixado para a independência. Tudo havia retirado. Do nosso posto de observação sobranceiro à cidade que não havíamos podido alcançar, vi sair do porto
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de Luanda a fragata que levava as autoridades portuguesas.
Eram quatro horas e meia da tarde do dia 10 de Novembro de 1975.
Os Comandos Especiais olharam o silencioso afastamento daquela fragata que levava no convés apinhado de gente os últimos restos de uma presença de cinco séculos. As lágrimas de raiva e de impotência rolaram pelas faces dos Comandos que o sol de Angola curtira. A fragata lançou ferro no limite das águas costeiras e ali ficou parada até à meia noite. Num arremedo de macabra farsa, à meia noite em ponto, esse navio da Armada Portuguesa iluminou em arco e salvou a terra...
Depois, como que num silêncio de vergonha, fez-se ao largo".

Gilberto Santos e Castro.




                                      ¡ MEMÓRIAS VENERADAS DE OUTROS DIAS !

Soberbos monumentos do passado,
esplendores, relíquias frias ...
Donde a arte verteu as suas fantasias
donde a alma expressou as Glórias do teu passado
na tua bela História de outras idades lúcidas.
As ciências agrupadas em seus ombros te alçaram
ao mundo de olhos pasmados.
O Império que foste e que criações fizeste
foste pasmo e assombro das gentes.

Pátria minha... A lança que te feriu de morte
 foi tão rápida que pasma as nossas angustiadas mentes.
Vivemos anos de amarga traição
e amarguras tantas de servil humilhação!
Pátria desventurada levanta-te já 
da tua indolência extrema ...
Que é hora de redenção suprema!
Que o vão temor ganhe força ...
ao erguer das ruínas a bandeira das quinas
a bandeira verde-rubra, a bandeira da Nação !




Poema de, Rogéria Gillemans
¡ Registado no Ministério da cultura - Inspecção Geral das Actividades Culturais, I.G.A.C. – Processo N°3089/2009 !



Monumento aos Combatentes da Grande Guerra, tinha a seguinte inscrição 
"Portugal aos seus Combatentes europeus e africanos da Grande Guerra, 1914-1918". 
A escultura feminina representava a Pátria, os soldados os seus Valorosos Defensores.
(Monumento, também, conhecido como "Estátua da Maria da Fonte")



UM HERÓI PORTUGUÊS, RUI ALBERTO MAGGIOLO DE GOUVEIA.


                                              HOMENAGEM A UM HERÓI
                       TENENTE-CORONEL RUI ALBERTO MAGGIOLO DE GOUVEIA.


"«Viemos para aqui para morrer. Estamos prontos para morrer!» Foram as últimas palavras ouvidas do tenente-coronel do Exército Português, Rui Alberto Maggiolo de Gouveia, fuzilado pela Fretilin em Timor, com outros elementos da UDT, em finais de Dezembro de 1975.
Em Agosto, à causa da traição e cumplicidade da tropa criminosa de Abril com a Fretilin, juntara-se à UDT - "por amor a Portugal e a Timor", como disse -, pensando contribuir para evitar a invasão indonésia. "

Assim morrem os heróis. Assim morreu o tenente-coronel Rui Alberto Maggiolo de Gouveia. E, quem assim morre, é orgulho para os pais, para a esposa, para os filhos, para os portugueses de Lei e para a Pátria. Morreu como herói da Fé e da Pátria: e, desta forma, não é a morte que coroa a vida, é a glória eterna em Deus que sublima tal morte. E mais vale morrer com glória do que viver com desonra - eram desta têmpera os portugueses de antanho - foi a ideia-força na vida deste Homem, deste Cristão e deste oficial do Exército Português, Maggiolo de Gouveia. Se, como piedosamente cremos, ele continua a viver no Céu, junto de Deus, também viverá no coração dos timorenses enquanto a memória dos homens não se desvanecer. 



ANTES DE MORRER, CADA UM FAÇA A SUA ORAÇÃO !

"Em 12 de Agosto de 1975, o tenente-coronel Rui Alberto Maggiolo Gouveia foi à Rádio de Díli dizer que já não era comandante da Polícia de Segurança Pública e que abandonava o Exército Português. Porque aderira, "por verdadeiro amor" à verdade, a Timor e a Portugal, "ao movimento UDT", o partido que no dia anterior desencadeara uma acção militar.

A declaração é recebida com perplexidade pelos militares portugueses e enfurece a Fretilin que a 21 o prende e encarcera no Quartel-General em Taibesse. O governador português Lemos Pires ordena, uma semana depois, a saída dos militares metropolitanos para a ilha do Ataúro, donde
partirão em definitivo na manhã de 7 de Dezembro, início da invasão indonésia do território.

Maggiollo Gouveia é dado como desaparecido "em condições de grande perigosidade e de ameaça à ordem pública". Durante 11 anos. Após o que a família requere judicialmente a sua morte presumida. Desde há 11 anos que a viúva recebe pensão de sobrevivência e de preço de sangue.

Na tarde próxima segunda-feira, em Mação, o ministro da Defesa, Paulo Portas, e o novo chefe do estado-maior do Exército, Valença Pinto, prestam-lhe honras oficiais numa cerimónia fúnebre que a família pretende discreta.

PÚBLICO ontem o porta-voz do Estado-Maior do Exército (CEME), que está a organizar a cerimónia. Segundo o tenente-coronel Vasco Pereira, Maggiolo Gouveia terá um enterro de acordo com as "honras regulamentares", disse ao o antigo tenente-coronel terá "naturalmente direito" às honras de Estado a que "qualquer militar no seu posto" também teria - escolta militar e salva de tiros.


Entrevista do Jornal "O PÚBLICO", Quarta-feira, 13 de Agosto de 2003.
Pela primeira vez um dos Assassinos fala sobre a Execução do Oficial Português Maggiolo Gouveia.

Por Adelino Gomes.

O olhar fugidio, as palavras mal sussurradas denunciam o embaraço de L. (letra escolhida ao acaso, com intuitos óbvios de lhe preservar o anonimato) quando se senta na cadeira para a entrevista. As palavras queimam-lhe na boca, parece mais de uma vez à beira da desistência.
Chega, em dado momento, a deixar cair a sua identificação completa, número mecanográfico do Exército português (a quem serviu no contingente local entre 1973 e 1975) incluído. Mas logo cai em si e pede, uma vez mais, o anonimato. O seu nome enquanto elemento do pelotão que fuzilou o antigo chefe da polícia de Timor é conhecido por várias pessoas ligadas no passado à Fretilin. Mas esta é a primeira vez que aparece a assumir a participação dele próprio na acção. Num encontro a sós, mas que sabe se tornará público, porque é a um jornalista que faz o relato do que viu e fez em duas noites consecutivas, por alturas do Natal de 1975 na região montanhosa de Ai, Timor-Leste

P - Qual a sua função na Fretilin?

L - Era soldado-condutor.

P - Tinha estado no Exército português?

R - Sim. Fui da incorporação de 1973.

P - O tenente-coronel Maggiolo Gouveia esteve detido durante semanas e semanas em Díli, no Quartel-General e no Hospital. Quando é que o evacuaram para Aileu?

R - Antes da invasão indonésia [em 7 de Dezembro de 1975]. Não sei a data exacta.

P - Onde é que ficou?

R - No quartel [de Aileu] numa zona chamada Matadouro, ao pé do
Hospital.

P - Sabe se foi torturado durante esse tempo?

R - Voltaram a bater-lhe com chicote [como acontecera em Díli, pelo menos nas primeiras semanas após a sua prisão].

P - Houve algum julgamento?

R - Não. Membros do Comité Central [CC da Fretilin, partido que dominava Timor desde finais de Agosto e tinha em Aileu a sua zona de maior fidelidade] começaram a reunir-se para verem se podiam liquidar aquela gente toda.

P - Qual gente?

R - Os presos. Além do tenente-coronel Maggiolo Gouveia havia presos da UDT e da Apodeti.

P - Quantos?

R - Não sei. Muitas dezenas.

P - Quem eram os membros do CC que se reuniam?

R - José da Silva, Sebastião Sarmento, Adão Mendonça, furriel Gil Ribeiro, Domingos Ribeiro e M. [letra escolhida ao acaso, para representar o nome de uma figura da Fretilin ainda viva, ao contrário dos restantes, todos mortos durante a luta contra a Indonésia].

P - Nesses nomes que está a dizer há gente que não pertencia ao CC.

R - Havia também o Sebastião Montalvão, o Alarico Fernandes, o António Pinheiro e mais gente que já esqueci.

P - Quem dirigia então efectivamente o partido era Nicolau Lobato. Ele também participava nessas reuniões?

R - Não. Quando lhe contaram ele disse: "Nós podemos prender, mas não podemos matar".

P - Onde é que se reuniam?

R - Num bar.

P - Como é que você soube?

R - Mandaram-me chamar a casa, era de noite. Tinham estado a comer leitão assado e a beber cerveja, vinho, whisky. Diziam: 'Temos que acabar com aquela gente toda da UDT. E com o Maggiolo também'.

P - Quando aconteceu isso?

R - Não sei a data exacta, foi em Dezembro.

P - No princípio, no meio, no fim?

R - Pode ter sido por volta do dia 25. Eram umas onze da noite quando me chamaram. Fui ter com eles ao bar, deram-me de beber. Diziam: 'Temos que tomar conta disto. Não podemos deixar vivo o Maggiolo, se não amanhã ou depois o Maggiolo é que é presidente e nós sofremos na mesma".

P - O que é que lhe disseram?

R - Mandaram-me à prisão chamar o comandante. O primeiro cabo Pedro Aquino levava uma lista de uns 25. Foram chamando um a um. Formaram e depois conduzimo-los a pé para fora de Aileu. Atravessámos a ribeira e parámos junto de uma vala, num local chamado Aisirimu. Eu soube depois que a vala já estava aberta desde as três horas da tarde.

P - O que fizeram a seguir?

R - Eu disse-lhes: "Se têm coragem, fujam".

P - E alguns fugiram?

R - Não. O tenente-coronel Maggiolo respondeu: "Viemos para aqui para o buraco para morrer. Estamos prontos para morrer". Então eu disse: "Antes de morrer, cada um faça a sua oração".
P - E eles? Rezaram o terço em conjunto?
R - Não. Uns rezaram o "Pai nosso que estais no céu", outros fizeram o exame de consciência.

P - Rezaram alto?

R - Não, em silêncio.

P - E depois?

R - Mandei um tiro. Não sei se acertei ou não.

P - Além de si, quem eram os elementos do pelotão?

R - O 1º cabo Pedro Aquino e alguns soldados de um pelotão de milícias, da 2ª linha.

P - Qual dos prisioneiros morreu primeiro?

R - Não sei. Não quis ver o fim. Foram os milícias que os enterraram.

P _ A que horas foi a execução?

R - Fomos buscá-los à volta das 11 [da noite]. Deve ter sido às 24 horas.

P - Havia gente a assistir?

R - Sim.

P - O que é que disseram? Não estavam indignados?

R - O povo não disse nada, tinha medo.

P - Arnaldo Araújo [que veio mais tarde a ser governador de Timor, nomeado pela Indonésia] também estava preso em Aileu, ou foi deixado em Díli?

R - Estava em Aileu.

P - Como é que se explica que eles tenham executado Maggiolo Gouveia, um oficial português, e poupado Arnaldo Araújo, que era considerado pelos nacionalistas um dos maiores traidores da história de Timor pois tinha colaborado com o Japão, durante a Segunda Guerra, e agora liderava os integracionistas da Apodeti?

R - Aranaldo Araújo foi dos últimos [a serem executados]. O nome dele estava noutra lista que me deram no outro dia com gente da Apodeti. Estávamos a passar a ribeira, era de noite também, e eu disse-lhes: "Têm que fugir. Se não fogem, morrem".

P - E eles fugiram?

R - Só alguns. Desconfiaram. Mas o Arnaldo Araújo fugiu com o filho, Zeca, que veio mais tarde a morrer em Ainaro.

P - Como é que você, simples soldado, lhes dizia para fugirem? Não sofreu represálias depois?
R - Na altura eu ainda tinha voz para discutir com os comandantes.
Disse-lhes: 'Vocês mandaram-me fazer isto. Têm que tomar as [vossas] responsabilidades, amanhã ou depois'. Mas eles já foram todos para águas de bacalhau.
P - É estranho ter deixado fugir um homem que veio a ser governador pró-indonésio sem sofrer represálias dos que vos mandaram matá-lo.
R - O Arnaldo Araújo a seguir ainda gritou na rádio várias vezes o meu nome.
Dizia: "Vem-te render". Mas eu estava no mato e não fui. Ainda estive preso [pela guerrilha] três meses, chamaram-me traidor. [Os indonésios] Apanharam-me num abrigo em 1978. Fiquei seis anos na prisão".

Entrevista feita em 23 de Maio de 2003 em Díli no âmbito da preparação de um livro do autor sobre o primeiro ano da independência de Timor-Leste.





Rogéria Gillemans

¡ TIMOR, E OS CRIMES DO 25 DE ABRIL !

Timor-Dili, a Cruz de Cristo com o Brasão, nas inscrições laterais lê-se; 
"POR PORTUGAL - CONTRA O INVASOR"

   
Timor 1975; A Revolução Vermelha dos Cravos de Sangue nos  massacres dos povos de Portugal !

O "governo" português de Abril abandonou Timor em 1975. A conjuntura da época é hoje mais clara. As Forças Armadas foram para Timor para promover os 3 D's — descolonização, democracia, desenvolvimento — mas tingidas a vermelho pela cartilha comunista e socialista marxista. O governador enviado, e primeira figura militar, era o então Coronel Lemos Pires, prometedor oficial de estado maior com uma missão...
Na sua equipe contava-se o depois vice-ministro comunista dos governos provisórios vermelhos, o Tenente-Coronel Arnão Metelo.

Nascem em Timor-Leste partidos políticos, alguns dos quais advogam a integração na Indonésia. As divergências degeneram em confrontos armados. Entretanto, as Forças Armadas portuguesas entregaram armas de guerra modernas e munições à resistência timorense, então FRETILIN, hoje FALINTIL, onde Xanana Gusmão era um membro apagado do comité central. Tentaram substituir a liderança dos liurais, chefes tradicionais, por líderes eleitos "democraticamente". Uma grande parcela de timorenses mais tradicionais se revoltou contra os marxistas com o apoio dos movimentos UDT e APODETI, sendo algumas das armas fornecidas pela polícia portuguesa do Capitão Maggioli Gouveia, anti-comunista.
Cumprida o que era a sua missão de deixar cair o poder na rua para que a FRETILIN dele se apoderasse, os militares portugueses evacuaram dia 26 de Agosto de 1975 para a ilha de Ataúro e depois para Portugal. Não foi bonito o acto de traição destes canalhas. Timor está a 11 horas de fuso horário de Lisboa, e na realidade está tão longe de todos e tão perto da Indonésia...

A guerra civil alastra por todo o território e enquanto se multiplicam as ameaças de intervenção indonésia, a Fretilin, liderada por Nicolau Lobato, expulsa de Díli os movimentos rivais da União Democrática Timorense e Apodeti e proclama unilateralmente a República Democrática de Timor-Leste, em 28 de Novembro de 1975, tendo como Presidente Francisco Xavier do Amaral.
Havia indicações ténues dos serviços militares de que Indonésia interviria mas não foram levadas a sério no plano português. Especula-se hoje se o PC da URSS e o PC português de então contariam com o Vietnam para cumprir o papel de cubanos da Ásia. Em 25 Abril de 1975 os vietnamitas entravam em Saigão e poderiam fazer novos focos revolucionários na Ásia, como os cubanos em Angola e na Etiópia. Era a idade de ouro do expansionismo soviético levado por mão criminosa apátrida para as províncias Portuguesas do Ultramar.

Sucedeu então uma santa aliança anti-comunista de EUA, Austrália e Indonésia. O General Suharto que liquidara 500 mil/600 mil indonésios comunistas pró-Sukarno, aquando da sua tomada de poder, não iria permitir um mini-comunismo à sua porta. Atenção, o exército indonésio é um exército de guerra civil. Nunca defrontou outra nação. Logo após o abandono de Timor por parte do "governo" de Abril, Suharto mandou invadir o pequeno território de Timor-leste. Em 7 de Dezembro de 1975 Tropas indonésias desembarcam em Díli e, nos dias seguintes, atravessam a fronteira e ocupam todo o território. Ignorando resoluções da ONU e tornou-o depois a "27ª província indonésia". Até ver. A Austrália foi o primeiro e único país a reconhecer a anexação. Sabia-se já da existência do Petróleo de Timor Gap que alguns comparam ao de Cabinda pelas suas ricas propriedades que o tornam importante para distilar combustível de aviação. Em 1989, a Austrália e a Indonésia assinam um acordo para exploração do petróleo no mar de Timor. Henri Kissinger, sempre pródigo em vacinas sangrentas preventivas nos outros, considerou que cinco semanas bastariam para resolver o assunto, segundo documentos publicados em "The Nation".

Seguiu-se um longo massacre de timorenses. Nos anos seguintes, estima-se que morrem dezenas de milhares em resultado de uma política de genocídio e assimilação forçada. A população fugiu para as montanhas, fora das áreas urbanas. Mas como é difícil assegurar a sobrevivência no mato — situação repetida agora em 1999 — a população bombardeada, esfomeada, vítima de doenças foi morrendo. Foram criados campos de concentração (como em 1999) para os que regressavam, atingindo o número de 200 mil pessoas como então admitiu Holbrooke, secretário de Estado americano.


¡O MASSACRE DO POVO QUE CLAMAVA "QUERER CONTINUAR PORTUGUÊS"!

                 HOMENAGEM AOS TIMORENSES ASSASSINADOS À CAUSA DO CRIME                                            DE TRAIÇÃO DA CHAMADA "REVOLUÇÃO DOS CRAVOS".
  

 ANTES DE MORRER, CADA UM FAÇA A SUA ORAÇÃO:
Timor - Dili, Monumento a Nossa Senhora com o brasão do Timor Português,
os degraus manchados com sangue das vítimas assassinadas.

 
                                                           
E foi assim, a rezar a Avé-Maria em Português, dentro do cemitério de Santa Cruz, que 271 portugueses de Timor foram assassinados a sangue frio: Jovens, velhos, mulheres e crianças.

O Massacre que o Mundo não viu. O dia 12 de Novembro de 1991, passa para a História como o dia em que o mundo abriu finalmente os olhos para Timor.
O preço a pagar foi bastante elevado:

Em 12 de Novembro de 1991 o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, em que as tropas indonésias assassinam centenas de timorenses, é testemunhado por jornalistas estrangeiros.
O mundo viu pela CNN as imagens daquele massacre e pela primeira vez em vinte anos a causa da independência de Timor e a denúncia do genocídio contra o povo de Timor-Leste tornou-se global.

Quando o mundo acordou para a barbárie do massacre no cemitério de Santa Cruz, em Dili.
Acordou o mundo por essa altura e não mais se calou, exigindo justiça.
Estranhamente, se há quem queira calar o mundo sobre a barbárie dos selváticos militares e polícias da Indonésia, são os timorenses Ramos Horta e Xanana Gusmão…
Será que o mundo se vai calar?

                   271 VÍTIMAS CHACINADAS, 278 FERIDOS, 270 DESAPARECIDOS, QUE EM                                                                 TIMOR CLAMAM POR JUSTIÇA.
                                   



                                        TIMOR, O FILME SOBRE O MASSACRE !

"Quando a filmagem do massacre de Santa Cruz foi transmitida a audiências em todo o mundo, provocou um clamor internacional significativa contra as práticas dos militares indonésios em Timor-Leste.... No entanto... mesmo em face de forte demanda internacional para fazer àqueles que tinham assassinado manifestantes desarmados.

- O massacre de Balibó, ocorrido em 1975 no Timor Leste, foi retratado no cinema pelo cineasta australiano Robert Connoly. As filmagens começaram no início de 2008.
Segundo a edição do diário Sidney Morning Herald, o papel principal será desempenhado pelo ator Anthony La Paglia, que interpretará Roger East, um jornalista assassinado em 1975, em Díli, quando investigava a morte dos cinco colegas de profissão, ocorrida cerca de um mês e meio antes.
Descrito como um intenso thriller político, "Balibó", como se intitula o filme, vai recriar os acontecimentos que cercaram a morte dos jornalistas Brian Peters, Greg Shackleton, Gary Cunningham, Malcolm Rennie e Tony Stewart.
Os cinco jornalistas morreram em 16 de outubro de 1975, durante uma reportagem próxima da fronteira com a Indonésia, no início da invasão das tropas e milícias de Jacarta ao território timorense.

Passados 36 anos, existem ainda muitas dúvidas sobre as circunstâncias que rodearam as suas mortes, com versões contraditórias.
Um relatório independente da ONU, elaborado em 2006, concluiu que "provavelmente" os cinco jornalistas - dois australianos, dois britânicos e um neozelandês - foram mortos pelos soldados indonésios. Apesar disso, Jacarta nega as acusações e tem insistido na idéia de que os jornalistas foram mortos num fogo cruzado entre as tropas indonésias e milícias timorenses.

Histórico:

A morte de Roger East é a menos conhecida entre os jornalistas e aconteceu em 8 de dezembro de 1975, quando o repórter da Australian Associated Press (AAP), então com 51 anos, se encontrava em Díli investigando a morte dos seus colegas. O repórter acabou capturado pelas tropas indonésias, que o executaram em público.
Dias após a notícia da morte dos cinco colegas, East chegou a Díli, onde foi acompanhado pelos jornalistas Michael Richardson, do australiano The Age, e de Jill Jolliffe, free-lance australiana que trabalhava para a Reuters.
Segundo relatos da imprensa então publicados, quando se tornou claro que a invasão indonésia era iminente, Richardson e Jolliffe decidiram abandonar Díli e regressaram em conjunto com os representantes da Cruz Vermelha para Darwin (Austrália), mas Roger East optou por ficar na capital timorense.

Ainda segundo os mesmos relatos, East planejava seguir para as montanhas para acompanhar a retirada da Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin), mas acabou capturado pelo exército indonésio.
De acordo com testemunhas, o jornalista foi levado para junto de outros prisioneiros e executado por um pelotão de fuzilamento em frente ao porto da capital timorense.
Alguns relatos dizem ainda que Roger East tentou enviar uma última notícia a partir do Centro da Marconi no aeroporto de Díli, quando começaram a aterrissar os pára-quedistas indonésios.
A Indonésia invadiu Timor ex-província portuguesa em 1975, administrando-a até 1999.

Produção:
Segundo o jornal Sidney Morning Herald, será a primeira participação do ator Anthony La Paglia num filme australiano desde 2001, quando apareceu em "Lantana", interpretação que lhe valeu o prêmio de melhor ator no "AFI Awards", da Austrália.
La Paglia vai interromper o programa "Without a Trace", na TV norte-americana, para desempenhar o papel de Roger East.
O argumento de "Balibó", baseado no livro "Cover UP - The Inside story of the Balibó Five", de Jill Jolliffe, foi redigido conjuntamente por David Williamson e Robert Connely, que vai dirigir também o filme produzido pela Film Finance Corporation.


Rogéria Gillemans







TIMOR PORTUGUÊS


                      


                                             Timor 1960, e o povo de Portugal

                                             Timor e as crianças de Portugal 




                                               Plantação de café, Timor leste

Timor-Atabai 17 Julho de 1969
                             escolta ao Estandarte Nacional para as festas do ARBIRU

                                                         Liceu Oan Lha, 1969


Timor-Atabai-Huato Buicari 17 Julho de 1970. Festas do ARBIRU-
Chegada das entidades:Comandante militar Cor. Ventura Lopes,Cmdt do sector de Fronteira, Administrador Vitor Santa.

                   Timor-Atsabe 7de Junho1970-Visita do Subsecretário da Administração         Ultramarina,  Comandante Sacramento Monteiro a Atsabe onde esteve 11 dias.

                                                     Timor 1970 - Bobonaro, 
                  companhia de moradores rende homenagem às autoridades portuguesas



Palácio do Governo Civil -1968/70

Monumento a Nossa Senhora no Monte Ramelau







¡ O FUZILAMENTO DOS GUERREIROS!

HOMENAGEM AOS COMANDOS AFRICANOS DO EXÉRCITO PORTUGUÊS FUZILADOS CLANDESTINAMENTE NA GUINÉ: 

Os massacres em Bissorã -
por Testemunho do ex-comando Francisco Amadeu Baldé -10/06/2006.
E Testemunho do ex-comando Julde Jaquite Semedo (Júlio) -30/6/2007.
                                                   Regina Mansata Djaló




Regina Mansata Djaló, in “O Fuzilamento dos Guerreiros":

(…) O meu marido era o Alferes graduado "Comando" Demba Cham Seca. (…). À terceira vez foi novamente detido, no dia 21 de Março de 1975, pelas duas horas da tarde. Quando, à noite, fui levar-lhe comida à esquadra de polícia de Bafatá, disseram que ele já não precisava dos alimentos. Soube, depois, que, nessa noite foi mandado para Babandica, onde foi fuzilado juntamente com outros. Os Tenentes Armando Carolino Barbosa e o Tomás Camará foram dois deles. (…) Na certidão de óbito, conseguida apenas em 2000, consta:

“Faleceu de fuzilamento, por ter servido com entusiasmo o Exército Português”.

O massacre de ex-comandos africanos, de ex-soldados, de ex-milícias, e até de civis, que tinham pertencido ou apoiado o exército português, foi realizado após a entrega do poder ao PAIGC em 1974, esta acção colocou uma mancha na história da Guiné, e criou um precedente de impunidade, que se virou contra os próprios dirigentes do PAIGC, face a um clima de intrigas e conspirações que se criou.

Não se sabe ao certo quantos morreram, mas foram vários milhares, incluindo mulheres e crianças enterrados em valas comuns.

"Em seis anos de independência total da nossa terra, 500 pessoas foram fuziladas, sem julgamento e enterradas em valas comuns nas matas de Cumerá, Portogole e Mansabá.

Foram massacradas pelo regime de Luis Cabral.

O regime de Luiz Cabral violou flagrantemente as normas dos Direitos Humanos, e nenhum comando africano, nenhum dissidente foi levado a tribunal. Foram executados barbaramente no meio das florestas, contra os mais elementares princípios de justiça.

O crime pelos massacres é assim imputado a Luiz Cabral, e a sua execução aos Serviços de Segurança dirigidos por Buscardini. É do conhecimento geral que os fuzilamentos foram realizados por soldados, e nunca por elementos ligados à segurança.

A aspiração dos soldados africanos da CCaç. 13 era apenas a de terem uma vida melhor, e o empenho de alguns deles para se desenvolverem era extraordinário.

Apesar de apenas falarem balanta e algumas palavras de crioulo, dedicavam-se afincadamente ao auto-estudo, pegando em livros de leitura que decoravam, numa tentativa de aprender português.

Houve quem fugisse para o Senegal, para salvar a vida, mas mesmo assim continuaram a ser perseguidos, e foram muitas as dificuldades por que passaram, alguns acabariam por morrer por lá".


São apenas um exemplo de homens simples, que lutaram leal e dignamente, na procura de um futuro melhor, acreditando que estariam ao lado de Portugal.




Rogéria Gillemans


¡ O PROCESSO DA TRAIÇÃO !

E O FIM HISTÓRICO DE PORTUGAL:

Os comunistas, e os socialistas portugueses falam dos 229 dias para abater o fascismo em Portugal, desde 9 de Setembro de 1973 até ao golpe de estado militar de 25 de Abril de 1974, isto é, desde o dia em que 136 capitães, tenentes e alferes, transportando-se burguesmente nos seus carros e em carros dos seus camaradas, se reuniram secretamente num palheiro de uma rica propriedade rural do Alentejo, pertencente à família de um deles, para falarem das suas reivindicações profissionais, até ao dia em que eles fizeram o golpe contra a Nação.

A História falará dos 229 dias da incubação da traição.
O golpe de estado de 25 de Abril, a que primeiro eles começaram por chamar o «movimento dos capitães» seguindo-se o nome «Movimento das Forças Armadas» («M.F.A.»), terminando por «Revolução dos Cravos» começou por um descontentamento mercenário que abriu fendas na disciplina militar e que, a um certo momento, dada a extensão da indisciplina, procurou revestir-se de uma explicação política conferindo-lhe, aos olhos da Nação, do povo, e do mundo uma aparência de honestidade e de significado nacional.
Os delineamentos da crua realidade, o que não chegou ao conhecimento do povo português e do estrangeiro, senão sob aspectos intencionalmente mal definidos, ou muito furtivos ou, moralmente disfarçados.

O número de cadetes, frequentando a academia militar donde saíam os oficiais do quadro permanente, diminuía consideravelmente, o que criava problemas, dada a existência do “terrorismo” no Ultramar. A insuficiência de capitães e de oficiais subalternos obrigava o governo português, presidido pelo prof. Marcello Caetano, a recorrer aos oficiais antigos milicianos, isto é, ao quadro complementar vindos da condição civil, estudantes universitários e alguns tendo mesmo já os seus diplomas de nível superior, os quais já tinham feito o serviço militar, no Ultramar com o posto de alferes. Eles tinham sido colocados na reserva com o posto de tenentes e, alguns, de capitães. Estes oficiais milicianos, se quisessem entrar no quadro permanente, frequentavam um curso intensivo de dois anos na academia militar, após o qual eram integrados no quadro permanente como alferes graduados em capitães. Ora, os cadetes da academia militar frequentavam o curso normal de quatro anos que lhes dava o posto de alferes. Havia apesar de tudo um sistema moral de compensações - justificáveis - porque o miliciano acabava o curso intensivo lá pelos 25-35 anos, enquanto que o cadete acabava o curso normal por volta dos 20 anos , o miliciano integrado no quadro permanente entrara na academia militar com uma preparação universitária parcial, ou até completa tendo obtido o respectivo diploma, enquanto que o cadete entrara apenas com uma preparação liceal.
O miliciano já tinha passado pelo Ultramar e ia pela segunda vez, enquanto que o cadete, é evidente, não tinha ainda estado lá.

Mas, o que era decisivamente importante, e de uma importância moral inegável, é que a Pátria sustentava uma guerrilha que lhe era imposta, o que justificava medidas transitórias e de circunstância com o fim de suprir a falta de oficiais.
Os militares que, após o 25 de Abril e o desastre económico que a sua incompetência provocou, fariam apelo, eles próprios, aos sacrifícios da Nação, não quiseram compreender as graves circunstâncias especiais relativas ao acesso do miliciano ao quadro permanente. Os militares exigiam, por exemplo, que os oficiais que foram milicianos (e que tinham frequentado a academia militar entre os 25 e os 35 anos), não fossem promovidos a capitães, sem que os oficiais vindos dos cadetes e que terminaram os cursos da academia militar aos 20 anos, não tivessem sido promovidos a capitães. E, falando do «prestígio do exército», das «perspectivas finais» de uma carreira militar «atraente»[1].
Os «capitães» colocaram todo o problema de um modo puramente mercenário:
em causa estavam exigências de salários mais deslumbrantes e outras regalias para os seus futuros. Esta passagem é tirada de um anexo à circular do movimento dos capitães, datada de 23 de Outubro de 1973, isto é, seis meses antes do golpe de 25 de Abril.
Até àquela data, a indisciplina ligada às reivindicações mercenárias tinha-se limitado a ameaçar o governo com a demissão colectiva dos oficiais de todas as graduações e de todas as armas, segundo se lê nos n˚s 8 e 11 da circular de 23 de Outubro de 1973. A ideia de defender a Pátria tinha sido posta de lado. Como fazer desta vergonha um caso justificável perante a Nação?
Só a partir de 24 de Novembro de 1973 é que o tenente-coronel Ataíde Banazol, que devia partir dentro em pouco, em serviço militar para a Guiné portuguesa, sugere numa reunião de capitães, a viragem do comportamento mercenário ao comportamento político com a ideia de uma intentona contra o Estado. Ele queria que imediatamente se agisse, e apresentou o seu programa que não foi aprovado, mas a ideia de uma politização civil no seio destes militares espalhou-se constantemente:
«explicava-se pelo facto de o seu Batalhão seguir para África antes do fim do ano.
Mais tarde, já na Guiné, o tenente-coronel Banazol leva a sua impaciência ao ponto de contactar os camaradas do grupo, no sentido de tomar conta de Bissau e fazer negociações directas com o PAIGC»[2].

Tudo isso mostra, antes de mais, a extensão da indisciplina dos oficiais desse grupo que, não contentes em se oporem à maneira pela qual os milicianos eram integrados no quadro permanente, negociavam segundo a lei da oferta e da procura, em que o comprador era o governo que representava a Pátria, a Nação que pagava, e em seguida, mostram o deslizar para a política, enganando os mais ingénuos, através de uma estratégia que, é necessário dizê-lo, não conquistou imediatamente a compreensão de todos os oficiais. O major Sanches Osório, que fez parte desse grupo e, é hoje, um dissidente desiludido e um exilado político, diz no seu livro publicado em Espanha, referindo-se a um momento em que a ideia política estava já lançada, que o major Vítor Alves tinha apresentado um programa que continuava a ser; «uma síntese dessas reivindicações... Já não podia limitar-se ao facto de propor aumentos salariais ou melhoramentos nas condições sociais [condições sociais dos militares]»[3].
Tratava-se já de uma espécie de obsessão ao nível do homem-massa, no pior sentido desta expressão, que se não poderia fazer aceitar à Nação senão através de uma politização. E esta politização não podia deixar de ser a que se opunha ao Estado vigente. Se este regime fosse uma democracia pluralista ou um socialismo, tendo por tanto outro contexto de acção político-social, a indisciplina mercenária militar finalizaria na institucionalização do comunismo com forma de regime autoritário, ou seja, um levantamento militar que atentou contra a Pátria tomando o poder pelas armas.

É inegável que o processo da traição desenvolveu-se em duas fases bem delimitadas:
o da reivindicação profissional, de 9 de Setembro a 24 de Novembro de 1973, passando á politização, de 24 de Novembro de 1973 a 25 de Abril de 1974. A prova disso está no facto de os oficiais vindos dos milicianos, e nos quais predominavam as ideias esquerdistas, se oporem às reivindicações dos oficiais vindos dos cadetes da academia militar, uns e outros se insultando mutuamente e constantemente. Os oficiais vindos dos milicianos alertavam a Nação e pediam para os chefes militares tomarem um atitude de firmeza; «para com aqueles que leviana, injustificada, discriminatória e anti-regulamentarmente estão a minar o moral, a cavar fossos, a cortar amarras, a criar castas no seio do exército que tem sido unido e que só de o ser, tem permitido que a Barca Nacional corte rectilineamente os ventos da história»[4].

Notemos neste texto que os seus autores, considerados como sendo os mais esquerdistas, baptizam de ultra-direitistas os oficiais vindos dos cadetes e gabam-se de serem os defensores do Ultramar Português! Por outro lado, os «capitães» chamam «capatazes de guerra» aos milicianos, considerando-os como oficiais de qualidade inferior[5], e reivindicam, também os títulos de principais defensores do Ultramar!: «Mais do que ninguém em Portugal têm desde a primeira hora do conflito em que a Nação está empenhada, contribuído para a sua perenidade»[6].
Tudo isso pertencia, portanto, à fase da reivindicação profissional desencadeada pelos «capitães», em que a linguagem patriótica parecia ser o mínimo necessário para se manter a decência militar. No entanto, o carácter de tipo mercenário das reivindicações comprometia visivelmente uma linguagem de patriotismo e de «prestígio» das forças armadas, precisamente no momento em que a Pátria exigia o sacrifício e a compreensão. O interesses sobre carreiras profissionais dominou sobre os interesses da Pátria.

Praticamente, foi só a partir do mês de Dezembro de 1973 que começaram a orientar as reivindicações «para qualquer coisa de mais vasto, de mais largo do que as simples reivindicações profissionais»[7].
Uma vez que este caminho foi seguido pelo grupo fraccionário, tudo agora vai exibir um aspecto novo. A infiltração dos oficiais esquerdistas, comunistas, socialistas, vai conduzir a indisciplina mercenária total do movimento (que, aliás, trabalhava já no seu seio a traição) à mais abominável e vergonhosa traição que a História conhece e, é isso que vai conciliar ao nível político, os oficiais milicianos comunistas e esquerdistas e os oficiais do quadro permanente também comunistas e esquerdistas, enquanto que eles se opunham ao nível das reivindicações profissionais. Mas a Nação na sua enorme maioria não é comunista, e apenas deseja uma democratização segundo o exemplo das nações do mundo ocidental e livre. Mantêm-se portanto certas aparências tácticas através de um plano de mentiras: falar-se-ia ao país e à opinião internacional em termos de uma democracia pluralista (para a parte europeia de Portugal), e de uma autodeterminação descolonizadora (para o Ultramar Português) que seria sistematicamente falseada.

Após a rejeição do programa redigido, ou praticamente redigido pelo major Vítor Alves, o major Melo Antunes, ligado ao «Movimento Democrático Português» (que se transformou em satélite do «Partido Comunista Português»), e que pretendia o abandono puro e simples do Ultramar, sem autodeterminações e sem discussões, abandono simplesmente de territórios e povos, redigiu um novo programa - onde interveio uma comissão constituída por oficiais esquerdistas, nos princípios do mês de Abril de 1974, o movimento dá conhecimento deste programa aos generais Costa Gomes e António de Spínola que sugerem algumas alterações, declarava que a solução no Ultramar era política e de maneira nenhuma militar, do livro do General Spínola[8].
Havia que defender uma solução digna e de uma grande importância histórica, sobretudo após a situação de facto criada pelo 25 de Abril; mas isso opunha-se aos planos de apropriação do movimento dos capitães pelos esquerdistas e comunistas - o que era o essencial para estes, e que estava acima, para estes também, da ideia de Pátria. E assim o trama desenvolveu-se fora do conhecimento da Nação até ao momento em que o movimento das forças armadas tomou o poder e tirou a máscara.

Mas o esboço do processo da traição não apresentaria todas as suas essenciais linhas, se não se falasse do que se sabe do comportamento destes dois generais durante os meses e os dias que imediatamente precederam o golpe de estado: o comportamento do general Costa Gomes com a ideia preconcebida da traição (os factos confirmaram-na) que vai até romper com o seu maior amigo, o general Spínola: e o comportamento deste último general que, pela sua boa fé, pelas suas lamentáveis fraquezas, pela exagerada confiança nele próprio e no seu carisma, julgando-se capaz de dominar e controlar finalmente os acontecimentos, deixou-se apanhar nas armadilhas que os outros lhe arranjaram.
Dois meses antes do golpe de estado de 25 de Abril, o general Spínola reafirmou a Marcello Caetano que era: «um militar disciplinado que não participava em conspirações nem dava golpes de Estado», e o general Costa Gomes dizia pessoalmente a Marcello Caetano que este devia: «continuar a fazer o sacrifício de estar no governo».

No dia 14 de Março (mês e meio antes do 25 de Abril), o general Costa Gomes, aderia, como praticamente todos os oficiais generais que foram pessoalmente prestar fidelidade ao governo, ao princípio que as forças armadas deviam subordinar-se à realização dos objectivos nacionais fixados pelos órgãos que a constituição reconhecia; simplesmente «tinha relutância em vir publicamente tomar um compromisso em nome das Forças Armadas sem as consultar, muito embora concordando em que o princípio fazia parte da ética militar (mas, argumentava, por isso mesmo não era preciso reafirmá-lo)», e o general Spínola explicava a sua ausência pela «fidelidade que julgava dever ao seu chefe imediato» que era o general Costa Gomes, chefe do estado-maior general, Spínola sendo o vice-chefe[9].

Ora, desde o dia 5 de Março de 1974, para não citar senão datas incontestáveis ou incontestadas até hoje, Costa Gomes e Spínola estavam já ao corrente do programa do movimento: «a partir desta data iniciava-se um vaivém de cópias do programa para os generais Costa Gomes e Spínola, os quais iam propondo alterações, depois discutidas pela Comissão Coordenadora do Movimento»[10], já no mês de Agosto de 1973 ou, nos primeiros dias do mês seguinte (oito meses, mais ou menos, antes do golpe de estado militar), o general Costa Gomes informou Marcello Caetano que ele tomara contacto directo com o movimento dos capitães (nessa altura tratava-se ainda de um movimento de indisciplina mercenária e de reivindicações profissionais) e que ele lhes assegurara que «tomaria daí por diante a defesa da causa deles»[11]. Estava-se, ainda longe da politização. E, desde os seus começos, o movimento tratava-se ainda, repito-o, de uma indisciplina de tipo mercenário de reivindicações profissionais, tinha certamente uma ligação indirecta com Spínola, através de alguns dos seus adeptos que faziam parte do movimento[12].

Todas estas maquinações são repugnantes, ainda que se saiba que o general Spínola, ao contrário do general Costa Gomes, tinha os seus escrúpulos: emitindo a sua opinião sobre as reivindicações profissionais dos capitães, o general Spínola não deixou de lhes dizer: «que, embora tivessem razão, eles estavam a ultrapassar os limites da disciplina militar, na medida em que se tinham agrupado como força de pressão da base e até pretendiam formar uma «Ordem de Oficiais» e fomentar uma «Associação de Sargentos». Errado - pensava ele - porque, em vez de se acreditar na capacidade de recuperação da estrutura militar, pretendia-se introduzir um processo de «reivindicação sindical» que desarticularia a instituição»[13]. Era o bom senso.
Chegados à fase final da politização do seu movimento de massa - no sentido mais pejorativo do termo -, politização da qual se pôs em evidência a trama, os capitães teriam hesitado entre o general Costa Gomes, que eles achavam, não sem razão, mais sensível aos seus fins e que era já o seu conselheiro[14], e o general Spínola[15], para escolherem aquele que seria o chefe do movimento; mas, graças ao seu incontestável prestígio e finalmente graças ao sucesso que obteve o seu livro «Portugal e o Futuro», a escolha caiu no general Spínola.

Logo que venceu o golpe de estado militar de 25 de Abril, o general Spínola tornou-se presidente da junta de «Salvação Nacional», e também presidente da República.
Proclamou-se aos quatro ventos que as forças armadas tinham deposto, sem um só tiro, o «fascismo» em Portugal.
Para os entendidos o «fascismo» é um regime totalitário, portanto um regime ditatorial, que, entre outras características fundamentais, tem a seguinte:
O regime fascista é sustentado pelo exército, pela força das armas, que, adquirem a preponderância política. Pôr-se-á portanto o problema de saber qual era a espécie de fascismo que as forças armadas depuseram em Portugal, já que não dispunha do seguro aparelho militar de que dispõem todos os fascismos, e não eram politizadas e, que começara já há muito tempo a esforçar-se por pôr o exército à margem da política e do governo da Nação. Propaganda comunista usada para instrumentalizar os incautos.

Com efeito «a partir da promulgação da Constituição Política de 1933 o Dr. Salazar procurou sempre afastar as Forças Armadas da acção política, embora mantendo um militar na Presidência da República como elemento de contacto e como fiador da observância da doutrina do regime»[16]. Esta estratégia era absolutamente oposta aos métodos fascistas, e comunistas, em que a carreira militar, pelo papel que tem na própria defesa dos regimes fascistas, e comunistas, não pode deixar de ser materialmente atraente, bem paga. Havia, certamente, uma polícia política, a «Polícia Internacional e de Defesa do Estado», e mais tarde a «D.G.S.», mas em caso de oposição entre a polícia política e o exército, não se pode de maneira nenhuma dizer que este predominava sobre primeira. É que Salazar contava com o seu prestígio pessoal.
Angola era, então, um grande país, pacífico, próspero e muito rico, em que as populações de todas as cores e etnias confiavam firmemente nas forças armadas a que tinha sido entregue a sua defesa.
Logo após o 25 de Abril, porém, as fronteiras foram franqueadas ao inimigo, os europeus e movimentos que lhes eram afectos foram desarmados, e permitida a livre entrada de tropas e armas para os movimentos terroristas ao mesmo tempo que se determinava, unilateralmente, um cessar fogo que, no dizer de um dos mais proeminentes vultos do movimento, correspondia a renunciar a ganhar a paz aceitando perder a guerra.

Nessa altura a FNLA passou a ser abertamente abastecida e municiada pelo Zaire, pelos Estados Unidos, e pela China, a UNITA pela Zâmbia e pela China. O MPLA - comunista - passou a ser abastecido pelas forças armadas portuguesas e pelos países comunistas»[17].
Tudo se passou ao mesmo nível de traição na Guiné portuguesa e em Moçambique, e, de uma maneira mais discreta, ainda que com a mesma significação no plano moral, em Cabo Verde e em Timor[18], como em S. Tomé e Príncipe (territórios onde nem sequer havia terrorismo).
A FNLA - que sucedeu à UPA de sinistra memória - agonizava em pequenos redutos montanhosos do Congo, abandonada pela população, vivendo de abastecimentos e municiamentos que à custa de dificuldades sem conta que o Zaire lhe fazia chegar às mãos. No Leste, pouco povoado, fugindo à animosidade da população local e às forças do exército a UNITA [outro movimento terrorista] arrastava-se de floresta para floresta mercê do auxílio que recebia da Zâmbia. O MPLA [um terceiro movimento terrorista-comunista] tinha umas centenas de simpatizantes na cintura industrial de Luanda.

Normalizar a vida cívica do País implicava, pois, necessariamente, a redução das Forças Armadas ao seu papel de instrumento ou meio de realização dos objectivos nacionais fixados pelos órgãos a que a Constituição desse competência para o fazer»[19].
Assim, contrariamente ao que se passa nos regimes comunistas e nos regimes verdadeiramente fascistas, que não podem subsistir sem a força brutal de um exército ao seu serviço e, por conseguinte, bem paga, em Portugal com o fim da guerrilha no Ultramar a carreira militar tinha deixado de ser atraente; «O exército já não constituía uma carreira de promoção social».
Conclui-se que a condição de vida ou de morte de um regime fascista (ou comunista), isto é, a existência de um exército bem pago, não existia já em Portugal, e o governo português tinha-a descurado ao ponto de provocar as reivindicações profissionais donde saiu o golpe de estado. O próprio carácter militar deste golpe de estado confirma-o. Em 25 de Abril de 1974 não havia portanto fascismo em Portugal: o que havia, era um regime que continuava a ser paternalista, e onde não tinha cabimento os partidos esquerdistas-comunista que, por ideologia, é anti-democrático e anti-liberal.

Se o governo do Professor Dr. Salazar se mantinha graças ao seu extraordinário prestígio pessoal, apesar de todas as críticas de que foi alvo, e ele estava politicamente acima de um exército, a razão era do grande prestígio do professor de Coimbra.
Pelo medo que a maioria da Nação tinha do futuro, em face a um crescente domínio no mundo pelo comunismo.
O paternalismo autoritário que, ao mesmo tempo, se esforçava por não precisar do apoio comprado das forças armadas habituadas, em Portugal.
Os espíritos superficiais e facciosos falam, para explicar a facilidade do golpe de estado de 25 de Abril, de um estado fascista «apodrecido»[20]:
Em vez de falarem de o que estava podre, e trágicamente podre, era o exército.

É por isso, ainda, que, tendo transformado um movimento de tipo mercenário num golpe de estado político, as forças armadas enganaram a Nação; porque, apresentando-lhe um programa democrático aberto a todos os partidos e a toda a discussão de ideias, ainda que tendo suas lacunas e seus subterfúgios, as forças armadas nada fizeram democraticamente; tudo foi feito demagogicamente, como em todos os fascismos ou em todos os comunismos. Aliás o programa «prestava-se a ser interpretado de diferentes maneiras»: Que o professor Palma Carlos (chefe do primeiro governo provisório) pediu que se lhe explicasse o sentido da «estratégia antimonopolista» inscrita no programa (uns entendiam-na no sentido neocapitalista, e os outros prestavam-lhe um matriz comunista), ninguém lho soube explicar claramente[21].
Tratava-se de uma ambiguidade intencional ou de ausência de ideias precisas? Um ponto que os militares golpistas desejavam era o de não se permitir partidos políticos, mas somente associações, ou movimentos políticos que, mais tarde, poderiam dar origem a partidos. «Este ponto, aliás, é muito claro no Programa»[22]; adivinha-se, aí, a ideia de manter as forças armadas como árbitro permanente da situação política militar:

No que diz respeito à imprensa, à rádio, à televisão, ao teatro e ao cinema, o programa põe-nos sob controle das forças armadas, criando uma comissão ad-hoc para impedir e punir (e que foi feito, indo até à suspensão ou supressão de jornais) a «agressão ideológica», isto é, toda a crítica perturbando a opinião pública, isto é, oposta aos militares e, por conseguinte proveniente (assim se decretava) «dos meios mais reaccionários». O programa, que rendo parecer democrático, está, no seu conjunto, mal elaborado, cheio de lugares comuns, de enunciados intencionalmente vagos ou incompletos, e demagógicos, de uma esperteza saloia que denuncia bem o fim de fazer dos militares-parasitas os únicos amos e os principais exploradores da Nação e dos trabalhadores explorados em regime totalitário. Mas, sem experiência política e, sem cultura política, não puderam libertar-se dos partidos (naturalmente dos partidos de esquerda que visavam o totalitarismo) e, então, por sua vez, os militares foram os joguetes destes partidos e das suas rivalidades.


E TUDO FOI TRAÍDO: A NAÇÃO, O POVO, E A HISTÓRIA!
E a Nação foi dominada por criminosos e ladrões, transformada neste pandemónio ao mesmo tempo trágico, grotesco e carnavalesco.
Os generais que tinham até então prestígio, pela traição acabaram por serem queimados, e odiados, perderam o carisma, incapazes de salvar o que se poderia ainda salvar! Em todo este processo de traição conduzindo ao 25 de Abril e às suas consequências, é necessário distinguir os militares que bem tiveram consciência da traição cometida, e, foram muitos; os que se deixaram enganar pelas palavras; e os que, sem qualquer convicção política, teriam continuado a olhar sobretudo os seus interesses ligados à Pátria.
A ingenuidade, a fraqueza de carácter e a estupidez de uns, fizeram com que eles fossem pastoreados pela ambição e a astúcia dos outros. Mas a História inexorável julgará a todos segundo as suas responsabilidades e dirá quem, de entre eles, valerá mais.

Os factos, propriamente políticos, que dizem respeito à mudança do regime em Portugal, e ao abandono (e sem dignidade) do Ultramar Português e das populações brancas que o fizeram, interpenetram-se; mas foi este último que deu o golpe decisivo na existência histórica de Portugal. Entendo por existência histórica de um país a sua realidade efectiva na História, com a contribuição que este país deu ou dá à cultura e à civilização. Considerando a dialéctica massa-elite (cap. I) no plano das nações, direi mesmo que, uma Nação de existência histórica é uma Nação-elite, contrariamente às Nações-massas às quais falta relevo suficiente e significação especial na História.

Não quero dizer que uma Nação-massa não possui necessariamente homens-elite capazes de contribuir para o progresso da cultura e da civilização do mundo; mas sem homens-elites que façam valer certas circunstâncias favoráveis, nenhuma atingirá, jamais, o nível de uma existência histórica de Nação-elite.
Portugal, que tinha uma existência histórica, feita e mantida pela vontade, apenas, dos seus heróis e dos seus grandes homens, foi destruída, ao fim de quase mil anos: "pela vontade dos seus pequenos homens, um bando de crápulas, analfabetos – esquerdistas, e traidores - os militares de um exército podre, que colocaram os seus interesses pessoais, ou salariais acima da Pátria".
Os militares do golpe contra o Estado e os seus cúmplices ou comparsas comunistas e socialistas, divulgaram, em Portugal e no estrangeiro, que a guerrilha no Ultramar estava perdida, e para sustentarem essa horrível mentira, invocaram até o general António de Spínola. O que é falso: o general Spínola nunca escreveu tal coisa.
Num dos seus livros publicado em 1972, escreveu: «Numa guerra deste tipo de guerrilha, as forças da ordem ganham-na se a não perderem, assim como a subversão a perde se a não ganhar», e alguns meses antes do golpe de estado, no seu livro «Portugal e o Futuro», escreveu:
«Às Forças Armadas apenas compete, pois, criar e conservar pelo período necessário - naturalmente não muito longo - as condições de segurança que permitirão soluções político-sociais, únicas susceptíveis de pôr termo ao conflito». A verdade é que nas vésperas do golpe de 25 de Abril de 1974, isto é, «no dia 24 de Abril de 1974, o terrorismo em Angola estava definitivamente esmagado.

Reduzindo abruptamente Portugal a um pequeno território da Península Ibérica, arrancando-lhe o mundo geográfico da sua missão cultural e civilizadora, os militares traidores provocaram o traumatismo nacional da sua demissão histórica, o fim da sua existência histórica, em duas palavras: o fim histórico de Portugal.
Vários partidos políticos portugueses associaram-se plenamente a esta traição: os partidos comunistas e o partido socialista. Eles devem ser devidamente estigmatizados.
Outros partidos, praticamente calaram-se perante esta traição: devem ser também devidamente chamados ao julgamento da História.


Notas:
[1] Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso, O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril (Lisboa, Moraes, 1975), p.332-n.
[2] Sanches Osório, El engaño del 25 de Abril en Portugal (Madrid, Sedmay Ediciones, 1975), p. 23.
[3] Documentos difundidos no mês de Julho de 1973
[4] Anexo à circular de 23 de Outubro de 1973
[5] Exposição dos capitães da Guiné portuguesa, datada de 28 de Agosto de 1973 e dirigida ao presidente da república (Américo Tomás), ao presidente do conselho (Marcello Caetano) e a outros membros do governo. A palavra «perenidade», no texto, refere-se, para ter um sentido, à palavra «Nação» e não a «conflito». Os actuais militares portugueses vindos dos cadetes da academia militar, não sabem, em geral, escrever.
[6] Vid. entrevista de Otelo Saraiva de Carvalho in «Expresso» (Lisboa, 27 de Julho de 1974).
[7] Sanches Osório, ibid., pág. 25.
[8] Id., ibid., pág. 50.
[9] Marcello Caetano, Depoimento (Rio de Janeiro - São Paulo, Record, 1974), pág. 202.
[10] A. Rodrigues, C. Borga, M. Cardoso, O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril (Lisboa, Moraes, 1975), pág. 19.
[11] Marcello Caetano, Depoimento (Rio de Janeiro - São Paulo, Record, 1974), p. 187. - O livro do prof. Marcello Caetano, do qual eu tiro estas notas, respira a verdade dos factos e a honestidade. Rara mente um vencido escreveu um depoimento tão sereno como o do prof. Marcello Caetano; não contém uma única palavra onde trans pareça ódio contra os seus adversários; a palavra mais dura que aí se pode encontrar é a que se refere ao secretário-geral do partido socialista português: era «um apagado advogado… Mário Soares, de seu nome, não representava grande coisa no País - salvo a influência das forças estrangeiras que o manobravam». Depoimento é um livro cheio de interesse histórico escrito por um verdadeiro português e patriota: não se o pode negar, se se quiser ser honesto, mesmo que não se esteja de acordo com as ideias políticas do seu autor.
[12] A. Rodrigues e outros, ibid., p. 269. - Este livro é perfeita mente favorável ao movimento reivindicativo dos capitães, mas o que importa são a exactidão das datas e a objectividade dos factos para uma interpretação objectiva.
[13] A. Rodrigues e outros, ibid., pág. 273.
[14] Id., ibid., pág. 274.
[15] Id., ibid., pp. 333-4.
[16] Renzo De Felice, Comprendre le Fascisme, trad. do italiano por Marc Baudouy (Paris, Seghers, 1975), pág. 25.
[17] Albert-Alain Bourdon, Histoire du Portugal (Paris, P.U.F., 1970), pág. 116.
[18] Marcello Caetano, ibid., p. 202.
[19] A. Rodrigues e outros, ibid., p. 15.
[20] Sanches Osório, El Engano del 25 de Abril en Portugal (Madrid, Sedmay Ediciones, 1975), p. 53.
[21] Id., ibid., p. 53.


Rogéria Gillemans